TOK de HISTÓRIA

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A EXPULSÃO DOS JUDEUS DE PORTUGAL

Aguarela representando a expulsão dos Judeus de Portugal

«Andem estes mal baptizados tão cheios de temor desta fera [a Inquisição] que pela rua vão voltando os olhos [para ver] se os arrebata, e com os corações incertos, como a folha da árvore movediça, caminham, e se param atónitos.»

Samuel Usque, Consolação às Tribulações de Israel, Diálogo III, Cap. 30, 1533.

Com o advento do Cristianismo, leis discriminatórias contra os judeus começaram a ser aprovadas – primeiro, pelos romanos, e depois pelos bárbaros Visigodos que invadiram a península em 409 d.C.. Entre outras coisas, foram proibidos os casamentos mistos entre judeus e cristãos e até mesmo instituída uma conversão forçada ao cristianismo (a qual não parece ter surtido grande efeito, visto que outras conversões em massa foram realizadas ao longo da História).

Em 711 d.C., tropas mouras invadem a Península Ibérica e derrotam os visigodos. Os mouros foram encarados como libertadores pelos judeus, uma visão até certo ponto correta, visto que cristãos e judeus eram incluídos pelos muçulmanos no grupo dos “Povos do Livro” (Bíblia, Torá etc). Os indivíduos que professavam tais crenças podiam continuar a praticá-las sob domínio islâmico, desde que pagassem uma taxa (a jizya) aos governantes e respeitassem as leis islâmicas.

Da Reconquista ao sequestro dos inocentes

Com a Reconquista da Península Ibérica pelos cristãos, os judeus passaram a temer novamente pela sua sorte. Todavia, pelo menos em Portugal até meados do século XV, eles gozaram de relativa liberdade, embora tivessem de pagar impostos escorchantes. Obtiveram mesmo grande destaque na vida pública portuguesa, como diplomatas, conselheiros reais, administradores, médicos, matemáticos, astrônomos, comerciantes e banqueiros (embora a maior parte da população judaica fosse composta de pessoas com profissões bem mais modestas, a saber, alfaiates, sapateiros, tecelões, pastores e pequenos comerciantes). Tal projeção começou a gerar descontentamento entre o povo, que sentia estar “a cristandade submetida à jurisdição judaica” (conforme queixou-se um frade em carta a Dom Afonso V). Tal clima de insatisfação generalizou-se e os judeus começaram a ser vítimas de perseguições e violência por parte de populares.

A situação na Espanha a partir de meados do século XIV já prenunciava o destino que esperava os judeus portugueses. Em Toledo, em 1355, 12 mil judeus morreram vítimas de perseguição religiosa; o número atingiu 50 mil em Palma de Mallorca, em 1391. Com o início das operações da Inquisição, ou “Santa Inquisição”, em 1478, o temor se espalhou entre os judeus da Espanha. Temendo pela própria sorte, milhares se converteram ao catolicismo, enquanto outro tanto buscou refúgio em Portugal. O volume de refugiados aumentou dramaticamente quando em 1492 foi decretada a expulsão dos judeus da Espanha.

Esse grande contingente de milhares de judeus (93 mil segundo as contas do contemporâneo Andrés Bernaldez) fugitivos sem bens e dinheiro acirrou os ânimos dos portugueses.

, atravessaram a fronteira em busca de abrigo, mediante o e a licença de trânsito por oito meses atribuída pelo rei D. João II.

Além da ira popular, os imigrantes tiveram de lidar com a esperteza de Dom João II, que vislumbrou uma oportunidade de lucrar com a desgraça alheia: o rei instituiu a cobrança de dois escudos (Outros pesquisadores afirmam que era um tributo de 8 cruzados)  por cada imigrante, para que pudessem permanecer em Portugal por oito meses.

Como ao fim do prazo de permanência os judeus não conseguiram sair de Portugal (não havia navios suficientes para transporta-los – ou assim foi dito), o rei ordenou que fossem vendidos como escravos. As crianças entre dois e dez anos foram tiradas de seus pais, batizadas e levadas para colonizar as ilhas de São Tomé e Príncipe, , onde a maioria não resistiu às condições do clima.

Fac-símile do Pentateuco hebraico, o primeiro livro imprenso em Portugal, no século XV

Apesar disso ainda vivem naquelas ilhas descendentes destes judeus, os quais, como prova de extrema resistência cultural, ainda conservam alguns costumes judaicos.

Da Expulsão ao Pogrom de Lisboa

Com a ascensão de Dom Manuel I ao trono português, em n1495, os castelhanos escravizados foram libertados. Todavia, o casamento anunciado do rei com a princesa Isabel da Espanha colocou os judeus novamente em clima de tensão. Isto porque o contrato de casamento incluía uma cláusula que exigia a expulsão dos hereges (mouros e judeus) do território português, tal como os reis espanhóis haviam feito em 1492. O rei Manual I tentou fazer com que a princesa reconsiderasse (já que precisava dos capitais e do conhecimento técnico dos judeus para o seu projeto de desenvolvimento de Portugal), mas foi tudo em vão. Em 5 de dezembro de 1496, Dom Manuel assinou o decreto de expulsão dos hereges, concedendo-lhes prazo até 31 de outubro de 1497 para que deixassem o país. Aos judeus, o rei permitiu que optassem pela conversão ou desterro, esperando assim que muitos se batizassem, ainda que apenas pro forma.

Os judeus, no entanto, não se deixaram convencer e a grande maioria optou por abandonar o país. O rei, ao ver cair por terra sua estratégia, mandou fechar todos os portos de Portugal – menos o porto de Lisboa - para impedir a fuga.

Uma vez que os Judeus constituíam uma parte importante da elite económica, cultural e científica do país, o rei queria evitar a sua fuga e concentrou no porto de Lisboa cerca de 20 mil judeus, esperando transporte para abandonar o território português.

Em abril de 1497, o rei manda sequestrar as crianças judias menores de 14 anos, para serem criadas por famílias cristãs, o que foi feito com grande violência. Em outubro de 1497, os que ainda resistiam à conversão foram arrastados à pia batismal pelo povo incitado por clérigos fanáticos e com a complacência das forças da ordem.

Foi desses batismos em massa e à força que surgiram os marranos, ou cripto-judeus, que praticavam o judaísmo em segredo embora publicamente professassem a fé católica.

Os “cristãos novos” nunca foram realmente bem aceitos pela população “cristã velha”, que desconfiava da sinceridade da fé dos conversos. Essa desconfiança evoluiu para a violência explícita em 1506, quando ocorreu o Progom de Lisboa. A peste grassava na cidade desde janeiro, fazendo dezenas de vítimas por dia. Em abril, mais uma vez insuflados por clérigos fanáticos, que culpavam os “cristãos novos” pela calamidade, o populacho investiu contra eles, matando mais de dois mil deles, entre homens, mulheres e crianças.

A nova diáspora

Para os judeus portugueses, o Pogrom de Lisboa foi a gota d’água final. Iniciava-se nova diáspora judaica, tendo alguns rumado para o norte da Europa, onde fundaram comunidades nos Países Baixos e Alemanha. Outros se dirigiram para o sul da França, e até mesmo para a Inglaterra. Alguns judeus preferiram retornar ao Orientem Médio, tendo sido bem recebidos pelos turcos otomanos.

 Expulsão dos judeus de Espanha em 1492,xilogravura, posteriormente colorida, de Michaly Von Zichy, 1880, AKG Imagens/Latins Tock – Fonte - http://www2.uol.com.br/historiaviva

Os judeus portugueses também chegaram com os holandeses na Capitania luso-brasileria de Nova Lusitânia, Pernambuco, e consecutivamente a toda região setentrional do Nordeste brasileiro, outrora conquistado aos portugueses pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, entre os anos de 1630 a 1654, onde fundaram no Recife, capital da Nova Holanda, a primeira sinagoga das Américas, a Sinagoga Kahal Zur Israel, sob a direção do grande Hakham Issac Aboab da Fonseca, que foi autor dos primeiros textos literários e religiosos escritos em língua hebraica nas Américas. Com a reconquista portuguesa do Nordeste setentrional do Brasil, e a proibição de praticar o judaismo, a comunidade dispersou-se, sendo que alguns voltaram para Amsterdã, outros migraram para outras colonias holandesas nas Américas do Sul, Central e do Norte e uma parcela permaneceu, refugiando-se nos sertões, interior do Nordeste Brasileiro onde se converteram em cripto-judeus.

Em Nova Iorque, que foi colonia holandesa com o nome de Nova Amsterdão, chegaram do Recife um grupo de 23 judeus em Setembro de 1654, onde fundaram a primeira comunidade judaica dessa cidade.

Embora a presença judaica no continente americano date de um século e meio antes da conquista da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais ao Nordeste brasileiro, os judeus convertidos (cristão-novos) fizeram parte da expedição portuguesa que, sob o comando do capitão Cabral, “descobriu” o Brasil em 22 de abril de 1500.

Mesmo depois da abolição do Tribunal do Santo Ofício, em 1821, o cripto-judaísmo continuou a ser praticado em Portugal, em especial na Beira Interior e Trás-os-Montes. Em Belmonte, só terminaria já depois do 25 de Abril.

Fonte - http://pt.wikipedia.org/wiki/Judeus_em_Portugal

ROMANCEIRO POTIGUAR, de DEÍFILO GURGEL – UM LIVRO IMPORTANTE

Entre outras pérolas, livro póstumo de Deífilo Gurgel reúne mais de 300 romances cantados e declamados por vários mestres, como Dona Militana.

Entre outras pérolas, livro póstumo de Deífilo Gurgel reúne mais de 300 romances cantados e declamados por vários mestres, como Dona Militana. Foto Alex Régis – Tuna do Norte

A Coleção Cultura Potiguar, que reúne os mais diversos temas da literatura norte-rio-grandense, da Secretaria Extraordinária de Cultura do RN e Fundação José Augusto (Secultrn/FJA) terá mais uma obra entre seus títulos. Dessa vez, uma das mais ilustres: O Romanceiro Potiguar, que será lançado na próxima quarta-feira (18), no Palácio Potengi – Pinacoteca do Estado, a partir das 19h. O livro será adquirido ao preço de R$ 40. O Romanceiro Potiguar é uma obra inédita do folclorista e pesquisador Deífilo Gurgel – falecido em fevereiro deste ano – fruto de uma pesquisa realizada entre as décadas de 1980 e 1990 e que reúne um dos mais ricos apanhados da oralidade dos romanceiros, tanto de origem Ibérica quanto brasileira. O livro conta com ilustrações do presidente do Conselho Estadual de Cultura, Iaperi Araújo.

De acordo com Alexandre Gurgel, que em algumas viagens ao longo dos dez anos de pesquisa acompanhou o pai, Deífilo Gurgel conversou com muitas pessoas para a elaboração d´O Romanceiro Potiguar, como por exemplo, seu Atanásio, detentor deste saber popular e pai de outra conhecida romanceira, Dona Militana, que também figura na pesquisa, dentre muitos outros. Com esse feito, andando de norte a sul pelo Estado, Deífilo Gurgel conseguiu compilar romances que fazem parte do cancioneiro popular, desde as origens Ibéricas (da Espanha e Portugal), passando pelos romances Religiosos, do Cangaço, da Caatinga e da Pecuária. “Ele viajou o Estado inteiro e conseguiu reunir uma obra que preserva pelo menos cinco origens de Romances. E o mais importante desse trabalho é que ele conseguiu colher versões inéditas de alguns romances”, informa o filho.

Para a secretária Extraordinária de Cultura, Isaura Rosado, O Romanceiro Potiguar dignifica o plano editorial do Governo do Estado conduzido pela Secultrn/FJA. “Deífilo pesquisou em sítios, vilas, povoados, nos espaços mais distantes do RN, seu trabalho é reconhecido para além do solo potiguar. Pensando em cultura de tradição, a assessoria de Deífilo sempre foi imprescindível. Digo isso para atestar minha admiração enquanto gestora, ao pesquisador, amigo, estudioso da cultura popular. Digo isso para expressar o quanto nos orgulhamos de Deífilo e o quanto as gerações que nos sucederem serão gratas a ele pelo registro e proteção às nossas raízes”, disse ela em apresentação da obra.

O poeta e membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, Paulo de Tarso Correia de Melo, é quem faz a abertura do Romanceiro Potiguar, a convite do próprio Deífilo Gurgel e em determinado trecho, revela o apuro e dedicação deste que, certamente, foi um dos maiores estudiosos da cultura popular no RN e no Brasil: “O milagre é o mesmo de seus outros livros de pesquisa folclórica. A documentação precisa e conscienciosa de sempre. O relacionamento exato de fontes, lugares e datas da situação de pesquisa. Desta vez quero realçar o registro de saborosíssimos epílogos prosificados e por vezes prosificações completas de romances registrados acuradamente”.

O trabalho e pesquisa de Deífilo Gurgel foi realizado de maneira solitária, já que não conseguiu bolsistas ou outros interessados na pequisa. E assim, aos 70 anos, Deífilo Gurgel de dispôs a “cansativas”, porém “gratificantes” viagens pelo Rio Grande do Norte “à cata das últimas pepitas desse fabuloso tesouro, representadas pelas quase trezentas versões de romances, que coletamos nas mais diversas regiões do nosso Estado, dos romanceiros peninsular e brasileiro”, escreve o próprio pesquisador em seu livro, agora póstumo.

Deífilo Gurgel e a romanceira Dona Militana

Deífilo Gurgel e a romanceira Dona Militana

O livro é constituído das seguintes divisões: Romances Ibéricos e Romances Brasileiros, que se subdividem-se da seguinte forma: Romances Palacianos, acontecidos entre a nobreza europeia; Romances Religiosos ou Sacros, que falam da vida de Jesus e de episódios ocorridos na vida de santos do catolicismo; Romances Plebeus, da gente do povo; Romances da Pecuária, que contam a vida de bois legendários: Boi Espácio, Boi Misterioso, Boi Surubim; Romances do Cangaço, relatos da vida e da morte de valentões sertanejos, desde épocas remotas: “Zé do Vale”, “O Cabeleira” e vários outros; Romances Burlescos, encenados outrora em teatrinhos mambembes e circos de cavalinhos. Ao todo são 330 versões de romances ibéricos e brasileiros.

Assessoria de Imprensa Secult-RN/FJA

Fonte - http://www.substantivoplural.com.br/romanceiro-potiguar-de-deifilo-gurgel-sera-lancado-quarta-18/

1922 – A GRANDE VAQUEJADA DE NOVA CRUZ NAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

Foto – Alex Gurgel

AUTOR – ROSTAND MEDEIROS

Você imaginaria que atualmente alguém conseguiria realizar uma vaquejada defronte a Igreja Matriz da cidade de Nova Cruz?

Mas já aconteceu.

A corrida de bois em Nova Cruz em 1922

Nas fotos que apresento é possível visualizar que no dia 7 de setembro de 1922, a cidade potiguar de Nova Cruz comemorou o centenário da independência do Brasil com uma tradicional “pega de boi”, que hoje convencionamos chamar de vaquejada.

Este material foi publicado na clássica revista “O Malho”, do Rio de Janeiro, na edição de número 1.061, de 23 de janeiro de 1923, quatro meses depois da festa.

E corre a vaqueirama...

E tudo ocorreu em pleno centro da cidade, defronte a Igreja Matriz da Imaculada Conceição, na rua que já naquele tempo era chamada Pedro Velho.

Carro na Rua 13 de maio

Nesta foto é possível ver um antigo veículo entrando na cidade em rua que a revista denomina como 13 de maio e que se apresentava embandeirada.

Já em outra foto estão os vaqueiros montados em seus alazões e todos colocados lado a lado. A revista chamou pomposamente a vaqueirama de “Guarda de Honra”.

Vaqueiros perfilados

Provavelmente este material fo0tográfico foi enviada para o Rio por algum filho da terra que morava, ou estudava, na então capital do país.

Para os cariocas de “O Malho”, ao invés de terem colocado a referência como “Pega de Boi”, ou ”Corrida de Bois”, preferiram “Corrida de Touros”, em um termo que evoca as famosas touradas espanholas. Eu fico imaginando se alguém da redação achou que o povo de Nova Cruz era descendente de pessoas vinda daquele país da península Ibérica?

Foto conseguida do alto da torre da igreja, mostra a corrida de bois

No material de “O Malho”, temos uma foto que mostra uma cruz, ou cruzeiro, como chama o sertanejo, em meio a uma verdadeira multidão. A revista informa que a cruz era um monumento que estava sendo inaugurado devido às comemorações do centenário da independência.

Esta seria a inauguração do cruzeiro em comemoração ao centenário da independência do Brasil. Será?

Mas, segundo o material existente no site da prefeitura de Nova Cruz, informa que no início do século XVII quando surgiu um núcleo populacional às margens do Rio Curimataú, resultado da instalação de uma hospedaria pertencente aos primeiros moradores que ali chegaram.

A hospedaria destinava-se ao descanso dos boiadeiros quando passavam pela região com seus rebanhos. Com o crescimento da povoação esta foi chamada de Urtigal. Logo depois seu nome foi mudado para Anta Esfolada, em virtude de uma tradição que era narrada na localidade. Diziam que existia no território uma anta com espírito maligno, então um astuto caçador conseguiu prender o animal numa armadilha. Na ânsia de tirar o feitiço da anta, o caçador partiu para esfolar o animal vivo. Mas  logo no primeiro talho a anta conseguiu escapar, deixando para trás sua pele e penetrando mata adentro, tornando-se o terror daquelas paragens e o povo passou a denominar o arruado como Anta Esfolada.

Assim continuou até que um missionário, provavelmente percebendo que aquela história em nada ajudava aquele povo, fez uma cruz e a fincou no ponto mais alto da vereda por onde supostamente o animal costumava passar. Como este não apareceu novamente o povoado foi denominado definitivamente de Nova Cruz, e no dia 15 de março de 1852, pela Lei Provincial n° 245, foi criado o município de Nova Cruz.

A Matriz de Nova Cruz em reforma, ou ampliação em 1922

Seria aquela cruz existente na foto uma inauguração, ou uma “reinauguração” da antiga cruz ali fincada pelo padre para espantar o malassombro?

Não sei, mas é um interessante material sobre o nosso Rio Grande do Norte, publicado em uma revista de circulação nacional.

Infelizmente as fotos estão realmente em baixa resolução e foi que recebi, e assim vou passando.

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UM TESOURO DE PORTUGAL – O MOSTEIRO DE ALCOBAÇA

Mosteiro de Alcobaça - Fonte - http://codigodacultura.wordpress.com

Fundada pelo primeiro rei Português em 1153, o cisterciense Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça foi um dos mosteiros mais ricos e mais prestigiados na Europa medieval. A sua igreja foi o primeiro edifício em Portugal a adoptar o estilo gótico e ainda é s maior igreja do país.

História

Em março de 1147, em uma importante batalha em Santarém frente aos mouros, D. Afonso Henriques prometeu que iria construir um grande mosteiro se Deus lhe concedesse a vitória. Após vencer a batalha e se tornar o primeiro Rei Português, Afonso manteve a sua promessa. Ele fundou o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça em 1153 e o entregou a Bernardo de Claraval, um abade cisterciense que promoveu fortemente as Cruzadas.

Os monges cistercienses viviam em simples casas de madeira por várias décadas, enquanto esperavam para o mosteiro a ser construído. As obras começaram em 1178, eles foram capazes de ocupar os edifícios do mosteiro em 1223.

Os arquitetos são desconhecidos, mas provavelmente eram de origem francesa e basearam o seu projeto na Abadia de Clairvaux, fundada por São Bernardo em 1115. Esta abadia não sobreviveu aos dias atuais, tornando o Mosteiro de Alcobaça uma testemunha importante para a arquitetura cisterciense. Quando a igreja foi concluída em 1252, ele foi o primeiro edifício totalmente gótico e a maior igreja de qualquer estilo em Portugal. No final do século 13, o rei D. Dinis acrescentou o claustro gótico, poeticamente conhecida como o Claustro do Silêncio.

Ao longo dos séculos, os monges de Alcobaça fizeram contribuições significativas para a cultura portuguesa. Em 1269 eles foram os primeiros a dar aulas públicas ao seus seguidores e, posteriormente, produziram a história oficial sobre Portugal em uma série de livros. A biblioteca de Alcobaça foi uma das maiores de Portugal. Muitos monarcas portugueses foram sepultados no Mosteiro de Alcobaça nos séculos 13 e 14, incluindo Afonso II, D. Afonso III, e suas rainhas, bem como D. Pedro I e sua amante, a malograda Inês de Castro.

Escapou do Terremoto, Mas Não da Espada dos Invasores

Durante o reinado de D. Manuel I, um segundo andar foi adicionado ao claustro e uma sacristia nova foi construída em estilo manuelino, ricamente ornamentada. O mosteiro foi ainda mais ampliado no século 18 com a adição de um novo claustro e torres de igrejas novas. O mosteiro escapou de grandes danos com o forte terramoto de 1755. Em 1794, o escritor de viagens, crítico e colecionador de artes inglês, o Lorde William Thomas Beckford visitou o local e comentou que ele encontrou cerca de 300 monges “que vivem de uma maneira muito esplêndido!”. Mas a vida monástica em Alcobaça estava prestes a acabar.

Fonte - http://www.tripadvisor.com.br

Em 1810, as tropas invasoras francesas saquearam a famosa biblioteca, roubaram os túmulos, e roubaram e queimaram parte da decoração interior da igreja. O que quer que tenha sobrado deste saque gaulês foi posteriormente roubado em 1834 durante uma revolta anticlerical, que acompanhou a dissolução oficial da vida monástica em Portugal e a partida dos últimos monges de Alcobaça.

Mosteiro de Alcobaça foi designado como Património Mundial pela UNESCO em 1989 porque “seu tamanho, a pureza do seu estilo arquitetônicos, a beleza dos materiais e o cuidado com que foi construído tornar esta uma obra-prima da arte gótica cisterciense”.

Fonte - http://www.flickr.com

A fachada oeste da igreja do mosteiro cisterciense é o majestoso estilo gótico com enfeites barroco. No seu interior é um exemplo requintado de arquitetura gótica cisterciense. Em conformidade com princípios austeros cistercienses, decoração é mínima, permitindo que a apreciação máxima das linhas de subida verticais. Os corredores laterais são tão altos como a nave central. As abóbadas nervuradas são suportadas em arcos transversais e grandes pilares com colunas envolvidas. A abside, inundado de luz de grandes janelas góticas, tem um ambulatório com capelas radiantes.

A partir do ambulatório de um corredor leva para a sacristia, construída em estilo manuelino no início do século 16, onde existe um cofre Lierne esplêndido e um portal manuelino ricamente ornamentados com o brasão de armas Português.

Um Amor Real Perpetuado em Pedra

Mas é no transepto da igreja que está uma das atrações do mosteiro: os túmulos góticos reais de Pedro I (1320-1367) e Inês de Castro (1325-1355) , filha de um aristocrata castelhano. Tão importante quanto a magnífica arquitetura gótica da própria igreja são estes túmulos e sua história.

Fonte - http://www.flickr.com

Eles se conheceram quando Pedro foi forçado a se casar com a jovem Constanza de Castela em 1339, mas Pedro se apaixonou por Inês e a tomou como sua amante. Depois de Constanza morrer em 1349, Pedro se recusou a casar-se novamente e continuou a ser dedicado a Inês, com quem teve vários filhos.

Pedro reconheceu todos os seus filhos com Inês e favoreceu os castelhanos na corte, levando o pai de Pedro, o rei Afonso IV, a considerá-la como uma ameaça ao seu reino. Assim, em 1355, o rei mandou matá-la.

Fonte - http://1.bp.blogspot.com

Dois anos depois, Afonso IV morreu e Pedro tornou-se rei. D. Pedro I declarou imediatamente que ele havia se casado com Inês em uma cerimônia secreta em Bragança, fazendo dela a rainha de direito. Segundo a lenda, o rei enlutado, em seguida, tomou sua vingança terrível, ele exumou o corpo de Inês, apresentou o cadáver na corte e ordenou que todos os seus cortesãos em homenagem à sua mão decomposta. Também forçou seus assassinos ao mesmo castigo e depois os matou. Este evento dramático mais tarde iria inspirar Camões, Velez de Guevara e tantos outros autores contemporâneos e cineastas.

Fonte - http://www.tripadvisor.com.br

D. Pedro encomendado suntuosos túmulos de mármore para si e para sua amada.  Ambos os túmulos têm efígies do falecido assistido por anjos. Os lados do túmulo de Pedro são decorados com episódios da vida de São Bartolomeu e as cenas de sua vida com Inês, incluindo a promessa de que eles estarão juntos até o fim do mundo. Os túmulos estão decorados com cenas da vida de Cristo e do Juízo Final estátuas de anjos prontos para despertar Pedro e Inês no Dia do Juízo, e criaturas grotescas que representam seus inimigos forçados a suportar o peso das tumbas. Embora danificados, os sarcófagos são as maiores peças de escultura do século 14 em Portugal.

Fonte - http://www.viagens.org

O Que Ver…

Além dos túmulos dos dois amantes reais, existem neste local os túmulos do século 13 da rainha Urraca de Castela e Rainha Beatriz de Castela. O túmulo mais notável é o da rainha Urraca, que é ricamente decorado.

Existe a sala do capítulo, ligado ao claustro por um portal de estilo românico, cheio de estátuas barrocas criadas pelos monges. Os visitantes também podem explorar o dormitório dos monges e do “scriptorium” onde eles copiaram manuscritos.

Fonte - http://www.viagens.org

A cozinha monástica é uma visão impressionante e interessante. Os monges de Cister, conhecidos por suas habilidades de engenharia, desviaram um braço do rio Alcoa direito pela cozinha, criando um permanente fornecimento de água corrente e límpida, além de um conveniente local de pescaria. A cozinha tem uma enorme chaminé. Afirma-se que até oito bois poderiam ser simultaneamente assados ali A cozinha é acompanhada por um refeitório espaçoso.

Os restos da biblioteca do mosteiro, incluindo centenas de manuscritos medievais, agora são mantidos na Biblioteca Nacional em Lisboa.

Se você tem interesse em história, arquitetura gótica ou de ambos, Alcobaça é para ser visto.

Acredito que este local é perfeito para escutar com um bom fones de ouvido (para não perturbar ninguém) a bela música “12 O’clock II”, do instrumentista grego Vangelis, do seu disco de 1975, “Heaven and Hell”.

Fonte - http://www.viagens.org

TITANIC 100 ANOS – A NOTÍCIA EM TERRAS POTIGUARES

Autor – Rostand Medeiros

Meus amigos e amigas, em meio a passagem pelos 100 anos do afundamento do navio de passageiros TITANIC, fato já tratado anteriormente em nosso blog TOK DE HISTÓRIA (Ver – http://tokdehistoria.wordpress.com/2012/03/27/titanic-100-anos/ ), trago a vocês neste novo material, uma ideia de como aquela aquela tragédia chegou nos dois principais jornais, das duas maiores cidades do Rio Grande do Norte. No caso foram os jornais “A Republica”, de Natal e “O Mossoroense”, da cidade de Mossoró.

E são matérias bem interessantes.

RELATO DE UM PROFESSOR INGLÊS

Quem lê este blog já percebeu que normalmente eu não recorto,  a partir de uma foto JPEG, uma interessante notícia de um jornal antigo e publico sem comentar nada.

Eu sempre leio a notícia e faço considerações, escrevo opiniões, comentários, etc.

Mas a vida está tão corrida, que dessa vez vou publicar direto para vocês lerem duas histórias interessantes, que dão uma pequena mostra da repercussão daquele sinistro marítimo em todo o Mundo.

No caso do jornal “A Republica” trás o relato de um cidadão de nome “Bresley”.

Procurando no incrível site http://www.encyclopedia-titanica.org encontrei a informação que no barco salva vidas de número 10 havia um professor de 34 anos, passageiro de 2ª classe, embarcado no porto inglês de Southampton e chamado  Lawrence Beesley. Apesar da diferença de garfia no nome, acredito que é a mesma pessoa.

O professor Lawrence Beesley

Segundo o site sobre o navio este cidadão  concedeu várias entrevistas a jornais ingleses, americanos e canadenses e uma destas entrevistas foi traduzida e copiada pelo jornal natalense, ou já recopiada de outro jornal brasileiro.

Consta que Beesley  tinha o bilhete número 248698 e este lhe custou 13 Libras. Ele estava na sua sua cabine D-56, quando o acidente aconteceu, presenciou os fatos, salvou-se e depois narrou os acontecimentos.

Consta que ele escreveu um livro e chegou a participar como consultor de um dos filmes feitos sobre o naufrágio e faleceu em 14 de fevereiro de 1967, com a idade de 89 anos.

O relato que segue está como no original e segue sequenciado.

UM NAVIO LUXUOSO

A próxima notícia foi publicada no principal jornaL da cidade de Mossoró.

Inicialmente é bastante interessante a explicação, no começo da matéria, do então diretor do jornal, João da Escossia, de como ele havia conseguido aquele relato.

Em linhas gerais a edição do dia 20 de maio de 1912 de “O Mossoroense” , mostra não um relato de um sobrevivente, mas o que havia de luxuoso no navio e mostra o fausto das cabines mais luxuosas.

Infelizmente um pequeno pedaço da no0tícia já estava destruído e o fotógrafo que clicou o0 antigo jornal, nesse caso eu mesmo, tremeu um pouco.

Peço desculpas, mas acho que é possível conhecer mais deste episódio centenários, que em linhas gerais é um macrocosmo de tudo que ocorre a humanidade.

Na tragédia do TITANIC não faltaram exemplos de excesso da soberba humana, da falta de humildade diante da natureza, da indiferença diante do desespero, de egoísmo, de covardia,  indisciplina, de terror diante da morte e até as diferenças de classe estiveram ali presentes na tragédia.

Mas também não faltaram exemplos de coragem, de cumprimento ao dever, de solidariedade, de compaixão, de estoicismo, de fidalguia, de devotamento ao próximo, de humanidade.

Talvez por isso e por muito mais, o Mundo todo relembra esta tragédia.

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É UMA VERGONHA ESSA JUSTIÇA BRASILEIRA!

ESTE MATERIAL EU PEGUEI NO BLOG DO POETA ÁLVARO ALVES DE FARIA (http://blogs.jovempan.uol.com.br/poeta/)

É DE CAUSAR INDIGNAÇÃO…

Lamento começar a semana com um assunto como este. Acostumou-se a dizer que as decisões da Justiça devem ser cumpridas e não comentadas. Nunca concordei com isso. Nunca. Nem nunca vou concordar. Por que hei de concordar? Por um acaso os senhores juízes de nossos tribunais são infalíveis? Não são. Nunca serão. Eu me refiro à absolvição pelo Superior Tribunal de Justiça do homem acusado de estuprar três meninas de 12 anos. O argumento dos senhores juízes do STJ é de arrepiar.

Alegaram que não houve violência, já que as meninas de 12 anos, são crianças prostitutas. Crianças que já se prostituíram. Isso não é só uma vergonha. Não é só indignação. Isso é de liquidar qualquer ser humano que ainda consiga pensar neste país vagabundo. Mais uma vez, graças aos senhores ministros do STJ, o Brasil ganhou manchetes internacionais. Essa aberração é ridícula. Além de preconceituosa.

Com prostituta pode tudo. Por que é que eu terei de dizer o contrário? Por que a decisão veio dos ministros do STJ? Só se me matarem. Ou me prenderem, o que não é difícil. Então, qualquer um pode comer uma menina de 12 anos que não haverá mais problema. (Desculpem-me a expressão, mas não dá para dizer de outra maneira). Sendo uma menina de 12 anos que é obrigada a se prostituir para viver, pode. Qualquer um pode.

O Código Penal brasileiro prevê que relação sexual com menores de 14 anos é crime de estupro. Mas o STJ acha que não. Sendo uma menina de 12 anos já prostituta o crime não existe. Com menina de 12 anos prostituta, miserável e faminta, sem futuro nenhum na vida, pode. Aí pode.

A Justiça brasileira garante a impunidade. Vergonha. Causa indignação, muita indignação. Representantes do Ministério Público e do Governo vão recorrer. O ministro da Justiça declarou que não concorda com essa decisão.

Os senadores e deputados que fazem parte da CPI da Violência contra a Mulher aprovaram nota de repúdio contra a decisão do Tribunal. Os membros da CPI vão enviar nota aos ministros do STJ para pedir que o Tribunal reveja sua decisão. Os integrantes da CPI dizem, com absoluta razão, que a decisão representa uma afronta aos direitos fundamentais das crianças, rompe com sua condição de sujeito de direitos e as estigmatiza para o resto de suas vidas.

A nota da CPI vai direto para a relatora do caso, Maria Thereza de Assis Moura, uma mulher, dizendo que “ela não relativizaria o princípio da presunção de inocência se tivesse levado em conta a idade precoce com que as meninas se prostituíram. “É impensável que uma criança de 12 anos ou menos possa nela ter ingressado voluntariamente. Esquece-se a ministra Maria Thereza que a prostituição de jovens no Brasil é fruto da violência, da exploração sexual e da sua condição de vulnerabilidade”. Não sei se a presidente Dilma disse alguma coisa a respeito.

Mas pelo seu jeito, imagino que deve estar pensando disso. O Governo quer que a Procuradoria-Geral da República recorra. Diante de tanta pressão, inclusive do Congresso Nacional, o senhor presidente do STJ disse que cada caso é um caso e que o Tribunal sempre está aberto para a revisão de seus julgamentos. O STJ adianta que o Tribunal de Justiça de São Paulo já havia inocentado o homem, com argumentos que sangram na miséria deste país. Aí o caso foi para o STJ que confirmou a absolvição. Já a ministra que mais admiro nesse Governo, pelo menos até agora, a de Direitos Humanos, Maria do Rosário, entrou nessa história escabrosa e pedirá a revisão da decisão dos senhores ministros do Superior Tribunal de Justiça. Assim, encaminhará essa solicitação ao Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, e ao Advogado-Geral da União, Luiz Inácio Adams.

A ministra Maria do Rosário diz o seguinte: “Entendemos que os Direitos Humanos de crianças e adolescentes jamais podem ser relativizados. Com essa sentença, um homem foi inocentado da acusação de três vulneráveis, o que na prática significa impunidade para um dos crimes mais graves cometidos contra a sociedade brasileira. Esta decisão abre um precedente que fragiliza pais, mães e todos aqueles que lutam para cuidar de nossas crianças e adolescentes”.

Por fim, a ministra que admiro, observa: “Consideramos inaceitável que as própria vítimas sejam responsabilizadas pela situação de vulnerabilidade que se encontram”. Na verdade, isso tudo não causa somente indignação. Não. Causa nojo também.

DETALHE, ESSE PESSOAL DO STJ FOI O MESMO QUE SEMANA PASSADA DEU UM JEITINHO DE ENFRAQUECER A LEI PARA AQUELES QUE DIRIGEM EMBRIAGADOS.

 

O BRASIL É UM DOS PAÍSES QUE MAIS GASTA DINHEIRO COM SUAS FORÇAS ARMADAS

MAS SEUS MILITARES ATUAM COM MATERIAL ANTIGO E SUCATEADO

Caça F-5 comprado de segunda mão da Jordânia, a espera de ser reformado pela FAB - Fonte - http://planobrasil.com/2010/10/26/mais-cacas-f-5em-para-a-forca-aerea-brasileira/

Algum tempo atrás coloquei um material no nosso “Tok de História”, sobre uma pesquisa que apontava que muitos brasileiros temem uma intervenção de alguma potência estrangeira contra nosso país. (Ver http://tokdehistoria.wordpress.com/2011/12/15/a-ultima-guerra-que-o-brasil-participou-foi-a-mais-de-70-anos-mas-os-brasileiros-temem-agressao-de-potencia-estrangeira/)

Apesar de basicamente reproduzir um material que havia sido anteriormente publicado na internet, fiz algumas pequenas observações sobre a situação de sucateamento das nossas forças armadas e o resultado foi que esta postagem recebeu muitas críticas, que foram enviadas diretamente para o meu e-mail pessoal. A maioria das quais apontavam que as nossas forças armadas são bem equipadas, preparadas e cumprem corretamente a sua missão.

O principal fuzil do Exército Brasileiro é o FAL, que teve seu primeiro protótipo concluído em 1947 e iniciou sua produção em 1954. Deve ser substituído em breve - Fonte - http://en.wikipedia.org/wiki/FN_FAL

Então decidi realizar uma pequena pesquisa na internet e aí veio a minha surpresa….

ETERNA RECLAMAÇÃO DOS DIRIGENTES MILITARES POR FALTA DE DINHEIRO

Segundo notícia divulgada em novembro do ano passado, no blog do jornalista Luís Nassif, em março de 2011 foi publicado um relatório feito pelo Ministério da Defesa que mostrou a condição preocupante da situação das forças armadas brasileiras em termos de condição material e apontava um forte preocupação dos militares exercerem corretamente suas funções de defesa do território nacional. Segundo informa o jornalista, os equipamentos da Aeronáutica, Exército e Marinha, apenas metade estava em funcionamento. Na época até o ministro da Defesa, Celso Amorim havia reclamado do pequeno investimento do governo brasileiro no setor, reproduzindo a grita constante que os comandantes militares realizam a anos. (Ver http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-sucateamento-das-forcas-armadas)

Fumaça do porta-aviões São Paulo da Marinha do Brasil, durante os primeiros testes após reforma de 4 anos - Fonte - http://isape.wordpress.com/2011/11/22/relatorio-da-defesa-mostra-sucateamento-do-setor-militar/

Constam que tanto o ministro da Defesa, quanto os comandantes militares apregoam que em termos proporcionais do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil é um dos países que menos investem em defesa entre os integrantes dos BRICS, grupo que integra Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Apontavam as autoridades que o orçamento da defesa do País na época representava apenas 1,39% do PIB, enquanto a Índia investia nesta área 2,8% de seu PIB, e a China, 2,2%.

E realmente eles estão certos quando a questão é termos proporcionais de aplicação do Produto Interno Bruto (PIB) em gastos com defesa e sob a ótica do BRICS.

Mas, quanto realmente, em termos proporcionais de dinheiro bruto, o Brasil investe em suas forças armadas? Quanto é isso em dinheiro? Como fica a nossa situação quando comparamos a outros países?

SOMOS EM 2010 O 11º PAÍS QUE MAIS GASTOU COM SUAS FORÇAS ARMADAS 

Mas antes de passar os dados, primeiramente é necessário saber quem realiza este tipo de pesquisa.

Fonte - http://www.sipri.org/

Na fria e equilibrada Suécia, mais precisamente em sua capital Estocolmo, se encontra a sede do SIPRI – Stockholm International Peace Research Institute, uma organização Internacional dedicada à investigação de conflitos, venda global de armamentos, controle de armas e desarmamento. Fundada em 1 de julho de 1966, com o status legal de uma fundação independente, o SIPRI é conhecido internacionalmente por fornecer dados considerados fidedignos ao público interessado e todas as pesquisas do SIPRI são baseadas exclusivamente em fontes abertas. Esta organização construiu sua reputação e posição sobre uma base calcada na competência na coleta de dados concretos e fatos precisos, tornando acessível à informação imparcial sobre a evolução de armas, as transferências de armamentos, produção, as despesas militares mundiais, bem como sobre as limitações de armas, reduções e desarmamento.

É apregoado que a tarefa do SIPRI é a realização de “pesquisa científica sobre questões de conflito e cooperação de importância para a paz e a segurança internacionais com o objetivo de contribuir para uma compreensão das condições para a solução pacífica dos conflitos internacionais e para uma paz estável”.  (Ver http://www.sipri.org/)

Sede do SIPRI em Estocolmo, Suécia - Fonte - http://anniversary.sipri.org/

Nos dados fornecidos pelo SIPRI e publicados no site Wikipédia, sobre as informações relativas a 2010 e publicadas em 2011, dos países que mais gastaram dinheiro com suas forças armadas e para nossa surpresa o Brasil está na 11º posição. (http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_military_expenditures)

Nesta posição, segundo SIPRI, a nação tupiniquim gastou 28 bilhões de dólares em 2010 com as suas forças armadas.

Se alguém aí conhece estatística e economia, pode até contestar a metodologia da pesquisa, mas fica difícil contestar a competência deste instituto sueco.

TEM GENTE QUE GASTA MENOS E FAZ MELHOR

A primeira posição pertence aos Estados Unidos. Estes gastaram em armamentos e suporte com as suas forças armadas em 2011, o incrível montante de quase setecentos bilhões de dólares.

SIPRI military expenditure database

Rank Country Spending ($)[2]  % of GDP Per capita ($)
World Total 1,546,529,200,000 2.2%
1 United States United States 687,105,000,000 4.7% 2,141
2 China People’s Republic of China 114,300,000,000 2.2% 74
3 France France 61,285,000,000 2.5% 931
4 United Kingdom United Kingdom 57,424,000,000 2.7% 922
5 Russia Russia 52,586,000,000 4.3% 430
6 Japan Japan 51,420,000,000 1.0% 401
7 Germany Germany 46,848,000,000 1.4% 558
8 Saudi Arabia Saudi Arabia 42,917,000,000 11.2% 1,524
9 Italy Italy 38,198,000,000 1.8% 593
10 India India 34,816,000,000 2.8% 30
11 Brazil Brazil 28,096,000,000 1.6% 142
12 South Korea South Korea 24,270,000,000 2.9% 493
13 Canada Canada 20,164,000,000 1.5% 560
14 Australia Australia 19,799,000,000 1.9% 893
15 Spain Spain 15,803,000,000 1.1% 398
16 United Arab Emirates United Arab Emirates 15,749,000,000 7.3% 2,653
17 Turkey Turkey 15,634,000,000 2.7% 244
18 Israel Israel 13,001,000,000 6.3% 1,882
19 Netherlands Netherlands 11,604,000,000 1.5% 759
20 Greece Greece 9,369,000,000 3.2% 1,230

FONTE - http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_military_expenditures

Bem, se não estamos entre os três primeiros colocados (Estados Unidos, China e França) a pesquisa aponta que o Brasil gasta mais com sua classe fardada que países como Coreia do Sul, Canadá, Austrália, Turquia e até mesmo Israel.

Caça canadense CF-18A, lançando uma bomba guiada a laser - Fonte - http://en.wikipedia.org/wiki/Canadian_Forces

Daí se pode argumentar que Canadá e Austrália são países de proporções tão continentais quanto Brasil. É verdade, mas vá atrás de saber qual é a qualidade dos armamentos que estes países possuem e as operações em que eles estão envolvidos pelo Mundo afora. E eles gastam menos! (Ver http://en.wikipedia.org/wiki/Canadian_Forces e http://en.wikipedia.org/wiki/Australian_Defence_Force )

Em relação aos outros três países comentados anteriormente, pode-se dizer que são bem menores do que o Brasil em área territorial e não dá para comparar. É verdade, mas é verdade também que a vizinhança da Coreia do Sul, Turquia e Israel não é, por assim dizer, lá muito amistosa. Por esta razão estes países justificam gastar muito dinheiro com armamentos.

Moderno caça F-16 de Israel - Fonte - http://www.aereo.jor.br/2008/12/29/os-f-16-de-israel/

E como fica o poder armado da nossa vizinhança?

Bem não dá para esperar muito da Bolívia, do Uruguai, Equador, do Paraguai. O vizinho Peru possui boa qualidade em termos de armamentos, mas nossas relações são positivas, como é com a maioria dos países da nossa região. As forças argentinas, o eterno inimigo do passado, depois das Malvinas e redemocratização estão piores em termos materiais do que as forças militares daqui.

Já a Colômbia é a segunda nação da América do Sul que, segundo o SIPRI, mais gasta com armamentos. Mas os militares colombianos têm problemas de sobra dentro do seu território com as FARC.

De nossos vizinhos, segundo as mídias especializadas sobre estratégia e geopolítica, o que causa maior preocupação é a Venezuela, onde o histriônico líder Chaves merece atenção. Ele tem comprado muita coisa dos russos. Como os propalados 24 caças Sukhoi SU 30MK, um avião moderno, com autonomia suficiente para cobrir grande parte da região norte do Brasil. Como oposição o Brasil oferece alguns caças F-5 reformados, ou “tunados”, que ficam baseados em Manaus.

O moderno caça SU-30 da Venezuela - Fonte - http://www.aereo.jor.br/2008/10/31/vox-blog-vox-dei/

Não duvido da capacidade dos nossos ases, nem da reforma feita pela EMBRAER nestes aviões, mas a diferença tecnológica é gritante.

Mais gritante ainda é quando vemos os dados do SIPRI e descobrimos que o 11º país que mais gasta com armamentos no Mundo (Brasil), não tem material aéreo superior (em nível de aviação de caça) ao 50º colocado da lista, a Venezuela.

PARA ONDE VAI A GRANA?

E se gastamos 28 bilhões de dólares nas nossas forças armadas, por que nossos guerreiros possuem materiais tão velhos, tão sucateados?

É que mais de 80% do que as forças armadas brasileiras recebem é gasto com a folha de pessoal, tanto ativos, como inativos.

Segundo afirmou o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Vitelio Brustolin, em ao jornal “O Globo”, em dezembro de 2009, as forças armadas têm bastante dinheiro, mas gastam a maior parte com custeio de pessoal e benefícios sociais.

Gasto com pessoal consome grande parte do orçamento das forças armadas brasileiras - Fonte - http://novomaragato.blogspot.com.br/2010/09/ou-ficar-patria-livre-ou-morrer-pelo.html

Brustolin fez um histórico dos gastos militares no período de 1995 a 2008 e em 2009 o Ministério da Defesa teve o terceiro maior orçamento da União, recebendo R$ 51 bilhões de reais. Superior na época ao Ministério da Educação, que foi de R$ 40 bilhões, e menor apenas que os da Previdência e da Saúde. Mas boa parte do dinheiro não foi para comprar novos equipamentos, nem para desenvolver tecnologia.

Segundo a reportagem, o professor de Relações Internacionais da PUC-RJ Marco Antônio Scalércio, especialista em assuntos de Defesa, afirmou que o Brasil investe menos do que o necessário na estratégia das Forças Armadas.

A resposta do Ministério da Defesa foi que não havia relação entre as despesas com pessoal e os recursos para investimentos, que são decididos anualmente, de acordo com as necessidades. (Ver http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1412698-5598,00-DO+ORCAMENTO+DAS+FORCAS+ARMADAS+CUSTEIA+FOLHA+DE+PAGAMENTO+DIZ+PESQUISA.html)

Mas espera aí. Então o nosso pessoal fardado não merece ganhar bem para cumprir suas funções e quem serviu não tem o direito a receber por correto merecimento?

É lógico que sim!

Mas o que não pode existir é que um país que possui tamanha capacidade de recursos naturais, não tenha meios adequados de defesa.

Utilizadas com sucesso em ações internas, como a ocupação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, a baixa qualidade material das forças armadas brasileiras coloca em dúvida sua capacidade de defesa das fronteiras brasileiras - Fonte - http://www.rededemocratica.org/index.php?option=com_k2&view=item&id=759:um-ano-de-ocupa%C3%A7%C3%A3o-militar-no-complexo-do-alem%C3%A3o-mis%C3%A9ria-e-opress%C3%A3o-sob-um-novo-comando

Alguma coisa está muito errada.

O ERRADO É COMO SE GASTA

Recentemente esteve no Brasil o general do Exército Martin E. Dempsey, Chefe do Estado-Maior Conjunto, a maior autoridade militar americana, que realizou uma visita de cortesia a Brasília. No seu encontro com o ministro da Defesa Celso Amorim, este militar de alta patente declarou que o Brasil é um dos motores econômicos mundiais. Depois de anos de promessas, a economia do Brasil tornou-se recentemente a sexta maior do mundo. Com uma população de 220 milhões o Brasil possui uma força de trabalho educada, matérias-primas abundantes e a nação está preparada para ir ainda mais à frente. Para este militar o Poder Nacional é agregado ao poder econômico, diplomático e militar e o Brasil já se considera como uma potência mundial. (Ver http://www.defesanet.com.br/br_usa/noticia/5383/Gen-Dempsey-Procura-Expandir-os-Lacos-Militares-com-o-Brasil)

Fonte - http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2011_12_01_archive.html

Mas como vimos repetidamente na mídia, o Brasil é um país com deficiências para defender suas fronteiras e riquezas.

Caso alguns leitores não saibam, mas a mesma água que é usada para lavar a sua calçada, ou dar um trato no seu possante, faz uma falta danada em grande parte do mundo. Este precioso líquido já é parte dos motivos secundários para alguns conflitos que pipocam no planeta. (Ver http://www.terrazul.m2014.net/spip.php?article311  e  http://brasileducom.blogspot.com.br/2012/03/guerra-da-agua-e-silenciosa-mas-ja-esta.html)

Fonte - http://brasileducom.blogspot.com.br/2012/03/guerra-da-agua-e-silenciosa-mas-ja-esta.html

Agora adivinhem qual é o país que possui uma das maiores quantidades de água potável na Terra?

Acertou quem disse Brasil.

Creio que hoje todos concordam que os Estados Unidos, ao invadirem o Iraque estavam atrás de um certo tipo de líquido negro. Mas se ao invés de petróleo, os gringos quisessem água doce? Aí meus amigos, adeus Amazônia e o Aquífero Guarani!

Parece que o problema do reequipamento das forças armadas brasileiras é de gerenciamento, ou então os suecos do SIPRI mentem até dar uma dor na língua!

O Brasil é uma nação de paz, onde quase todos seus conflitos passados foram resolvidos por diplomatas do naipe do Barão do Rio Branco. Mas o Barão é agora parte da história.

A mesma história que em seu bojo possuí inúmeros exemplos de povos e nações que perderam muito do que tinham por não se protegerem corretamente.

No final a questão não é se deve, ou não, gastar com defesa no Brasil, mas o como se gasta.

P.S. – Apesar de não dispor de dados mais atualizados, que apontam para uma diminuição dos gastos militares brasileiros,  a situação aparentemente permanece inalterada. E tem gente que acha que do jeito que está, temos condições de participar do Conselho de Segurança da ONU.

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TITANIC – 100 ANOS

 

AUTOR – ROSTAND MEDEIROS

Qual é o naufrágio mais famoso de todos os tempos?

Evidentemente que é a tragédia do RMS Titanic (RMS-Royal Mail Ship ou Navio de Correio Real).

Na fatídica noite de 14 de abril de 1912, o Titanic colidiu com um iceberg que a mandou para uma cova profunda e fria. Seu naufrágio encontra-se no Atlântico Norte, em um trecho solitário, a várias centenas de quilômetros a leste da costa da região da Nova Scotia, Canada. Em 1985, seus restos foram descobertos por uma expedição franco-americana liderada pelo mundialmente renomado oceanógrafo Bob Ballard.

O INÍCIO

O Titanic foi construído em Belfast, Irlanda, sob a direção de J. Bruce Ismay, co-proprietário da White Star Line, empresa de navegação proprietária do navio. Em 31 de julho de 1908, os contratos finais foram assinados para a construção do Titanic e seus navios irmãos, o Olympic e o Britannic. O Titanic como seu nome indica foi enorme, suas especificações originais eram;

Titanic-25

Tipo de navio Navio a vapor de passageiros
Classe Olympic
Deslocamento 46.328 t
Comprimento 256 m
Boca 28 m
Pontal 54 m
Calado 9,7
Propulsão 2 máquinas de tripla expansão com 15 000 HP
1 turbina de baixa pressão com
16 000 HP (hélice central)
29 caldeiras de vapor
2 hélices laterais de três pás
1 hélice central de quatro pás
Velocidade 23 nós, e presumivelmente cerca de 25 se as válvulas de segurança das caldeiras fossem fechadas a fim de aumentar a pressão do vapor
Tripulação 860
Passageiros 3.547

A construção continuou em várias fases até que o Titanic estava pronto para sua viagem inaugural em 10 de abril de 1912.

Vamos dar uma olhada nas atividades deste dia fatídico.

A cerca de 7h30, o capitão Edward J. Smith embarca no Titanic juntamente com sua equipe. O Titanic está no porto de  Southampton, Inglaterra. Às 8:00 da manhã, a tripulação é convocada. Entre 9:30 e 11:00, os passageiros estão autorizados a embarcar no navio. Como descrito no filme “Titanic”, o embarque para os passageiros de primeira classe é um processo bastante diferente do que aqueles destinados a terceira classe. As pessoas ricas apreciavam acomodações luxuosas, gastronomia, lazer e vistas deslumbrantes do Oceano. Os passageiros de segunda classe e terceira classe eram colocados abaixo do convés principal, muitas vezes em quartos apertados. Muitos eram imigrantes que esperam começar uma nova vida na América.

Às 11:30 da manhã, os passageiros da primeira classe são escoltados aos seus camarotes. Ao meio-dia em 10 de abril de 1912, o Titanic zarpa.O monstro de aço é puxado por vários rebocadores para o oceano aberto.


Às 17:30, o Titanic chega ao porto de Cherbourg,  na França, para pegar mais passageiros. Por volta das oito da noite, embarcam mais 274 passageiros adicionais e segue viagem durante a noite para Queensland, na Irlanda. Às 11:30 do dia seguinte, mais 120 passageiros são embarcados.

A uma e meia da tarde de 11 de abril de 1912, a âncora do Titanic ‘é levantada para a sua viagem final. Mais uma vez vários rebocadores escoltam o navio para o oceano aberto, onde ele segue em sua primeira viagem transatlântica até Nova York.

Uma estimativa de 2.227 pessoas é a quantidade de pessoas a bordo do Titanic antes de seu desastre. Os número exato de passageiros não são conhecidos devido a discrepâncias envolvendo vários membros da tripulação e listas de passageiros.

A história dos últimos dias de Titanic ‘no mar é lendária e, claro, seu naufrágio é um dos mais cativantes e histórias trágicas dos tempos modernos.

Entre 11 de abril e 12, o Titanic navegou 386 quilômetros de oceano aberto, o clima é calmo e claro.

Entre Abril de 12 e 13, o capitão decide aumentar sua velocidade, o que lhe permite cobrir 519 milhas náuticas. A tripulação começou a receber avisos de gelo, mas que era esperado e não foi considerado incomum para abril.

No domingo, 14 de abril, o Titanic começou a pegar avisos de iceberg mais frequentes, sendo observados a partir de navios nas proximidades. Um aviso de iceberg do navio Báltic é recebida, que informa existir grandes quantidades de gelo a cerca de 250 milhas à frente do Titanic. A mensagem é dada ao capitão Smith, que mais tarde dá para Bruce Ismay que estava a bordo para sua viagem inaugural. Ele coloca a mensagem no bolso.


Às cinco e meia da tarde, o capitão altera ligeiramente o curso do navio, talvez para tentar evitar o gelo.

Às sete e meia da manhã, três mensagens de outros navios, sobre grandes icebergs são captados. As mensagens são retransmitidas mais uma vez para o capitão do Titanic, que está participando de um jantar. O gelo está agora a apenas 50 quilômetros à frente do grande navio.

Às 21:20 da noite, o capitão vai para o seu camarote, pedindo apenas para ser despertado, se necessário.

Às 23:40, o Titanic está se movendo a 20 nós. A temperatura do ar está baixíssima, em meio a um céu sem nuvens. De repente, vigias do Titanic informam sobre um iceberg, elevando-se entre 50 a 60 metros acima da água, a apenas 500 metros de distância. Imediatamente, os sinos de alerta são tocadas e mensagens transmitidas para a ponte de comando.

O oficial Moody está na ponte no momento e reconhece o aviso. É a ordem de parar os motores. As alavancas para fechar as portas estanques abaixo da linha d’água são ativadas. O Titanic começa a virar, mas é tarde demais. O navio bate no iceberg no lado estibordo do navio. Apenas 37 segundos se passaram desde o momento do iceberg foi avistado.

O TITANIC ESTÁ CONDENADO! 

Em dez minutos, a água subiu 14 metros acima da quilha. Os primeiros cinco compartimentos estão fazendo água. O setor da caldeira número 6 é inundado rapidamente com oito metros de água.

À meia-noite o capitão pede e recebe uma avaliação da situação: O Titanic vai afundar em no máximo uma hora e meia.

O capitão pede que seja enviado um sinal de socorro. A posição do navio: 41 graus 46 minutos Norte e 50 graus 14 minutos Oeste.

A meia noite e cinco minutos de 15 de abril de 1912, a Quadra de squash, 32 metros acima da quilha, está inundada. Ordens são dadas para retirar as lonas que cobrem os botes salva-vidas. A triste realidade da situação está começando a tomar forma. Há apenas espaço suficiente para 1.178 passageiros nos botes, mas há 2.227 pessoas a bordo.

Entre 00:15 e 02:17 horas da manhã, vários navios relatam ter ouvido os sinais d e SOS do Titanic. Estes incluem o navio irmão do Titanic, o transatlântico Olympic, que está a 500 quilômetros de distância. Seis navios, entre eles o Carpathia tentam vir prestar assistência.

O cargueiro Carpathia

Por volta das 00:15, a banda do navio começa a tocar música no salão de primeira classe. É um momento famoso e, finalmente, surrealista!

O primeiro bote é baixado, mas ele sai com 28 pessoas, mas tem capacidade para armazenar 68.

O embarque dos passageiros em botes salva-vidas logo degenera em caos. A maior parte destes barcos saem do navio agonizante sem estar completamente carregado.  O pânico agora é total entre os passageiros e muitos começam a perceber a situação desesperadora em que estão metidos. Enquanto isso o cargueiro Carpathia se desloca a toda velocidade para tentar prestar assistência.

Às 02:10 horas da manhã, com água a apenas dez metros abaixo do convés, o capitão Smith manda que os homens no posto de comunicação deixem as suas funções e busquem se salvar. Mas um deles, um homem chamado Phillips desobedece a ordem e continua a enviar mensagens. Consta que a última mensagem foi enviada às 02:17 da manhã.

O capitão Smith

O capitão finalmente  se retira para a ponte, quando neste momento, parte do Titanic mergulha debaixo d’água e o navio inicia a sua descida, longo e solitário na escuridão. De 2.220 pessoas que reservaram a passagens, 1.500 morrem em consequência do afundamento, com 705 pessoas sobrevivendo.

Existem centenas de histórias individuais vinculados a este trágico acontecimento:

  • A banda que tocou bravamente, enquanto o navio estava afundando em torno deles.
  • Os bravos homens que ordenaram a clássica ordem “mulheres e crianças primeiro” para os botes salva-vidas, sabendo que eles próprios não seriam salvos.
  • O capitão que estava destinado a ir para baixo com seu navio.
  • A segunda terceira classe de passageiros, que foram bloqueados abaixo do convés, enquanto para os passageiros da primeira classe não faltaram cuidad
  • os e atenções.
  • Maridos e esposas, mães e pais e suas crianças, que seria para sempre separadas pela morte.

Como resultado deste afundamento, várias alterações profundas foram feitas na indústria de transporte. Claro, o mais significativo foi o pronunciamento do inquérito Britânico, onde ordenou que a partir daí haveria botes salva-vidas suficientes para todos os passageiros a bordo de todos os navios da terra de sua Majestade. Além disso, em abril de 1913, uma Patrulha do Gelo Internacional foi estabelecido que, sob a direção da Guarda Costeira dos Estados Unidos para guardar as rotas marítimas do Atlântico Norte.

A trágica história do naufrágio do Titanic tornou-se lendária. Através de livros e filmes, as gerações têm vindo a conhecer e entender seus últimos dias no mar. No entanto, foi somente em 1985 quando o Dr. Robert Ballard, usando o estado da arte da tecnologia submarina, finalmente descobriu o local de descanso deste transatlântico de luxo.

A busca para encontrar o Titanic foi feito por uma equipe de expedição conjunta americano-francês. No papel, a estratégia parecia simples. Os franceses iriam rebocar um dispositivo de sonar de profundidade e em um padrão de grade, sobre a área geral do naufrágio até o navio ser encontrado.

Claro que, apesar do tamanho imenso do Titanic, ela seria apenas um pontinho no vasto Oceano Atlântico Norte. Então dias e semanas se passaram, e as dificuldades de um dispositivo de reboque pesado, muitos quilômetros abaixo da superfície tornou-se evidente.

Então, no início da manhã de 01 de setembro de 1985, os operadores cansados de repente começaram a ver alguma coisa.

DESTROÇOS! 

Na verdade, a primeira peça reconhecível foi uma das caldeiras do navio.

No entanto, os cientistas e engenheiros a bordo sabiam que estavam perto. Continuaram a sua pesquisa vigilante acima do fundo do oceano e logo pedaços maiores de destroços começaram a aparecer. Eles estavam sobre o “campo de destroços”, uma seção do fundo do oceano coberto com itens soltos do Titanic. 

O naufrágio principal ainda não tinha sido encontrado, mas ironicamente não foi a tecnologia submarina que realmente localizou os destroços do navio principal, mas um equipamento chamado ecobatímetro, já bem antiquado, que estava a bordo do navio de pesquisas que fez a descoberta no dia seguinte. Com a localização exata encontrada, um robô submarino foi baixado e imagens de vídeo do naufrágio foram vistos pela primeira vez após décadas do seu afundamento.

A expedição de 1985 terminou logo depois. Ballard retornou no ano seguinte para realizar um estudo mais exaustivo dos destroços. Em 1986, um submersível tripulado, chamado Alvin, seria usado para levar os homens para baixo e ver o navio pela primeira vez “ao vivo e a cores”. Um veículo operado remotamente penetrou mais profundamente no interior do navio.

Foto de um jornal da época, mostrando o comitê do senado norte americano, criado para debater as causas do desastre do Titanic

Descer 12.000 pés em um submersível não é nenhum passeio! O tempo de viagem da superfície para o fundo é de cerca de onze horas e meia. Ainda assim, usando a combinação de tecnologia e equipamento submersível, uma impressionante variedade de imagens de informações sobre o naufrágio já foram trazidos à tona para o mundo todo ver.

Outros, no entanto, voltaram para o Titanic.

Durante as expedições realizadas em 1987, 1993, 1994 e 1996, foram recuperados mais de 5.000 artefatos do local do naufrágio. Esses artefatos foram cuidadosamente preservados e foram colocados em exposição para o público em vários locais do mundo.

Há alguma controvérsia raging sobre a recuperação desses artefatos.

Alguns, Bob Ballard incluído, possuem a opinião que o Titanic é um cemitério e um memorial a todos aqueles que morreram na noite de 15 de abril de 1912. Perturbando o local com a remoção de artefatos, eles sentem que a santidade e a dignidade do Titanic está sendo comprometida. Outros pensam que o naufrágio é um artefato da história e as peças recuperadas apenas ajudam a educar as pessoas sobre a tragédia do Titanic. Eles também afirmam que se não retirassem do mar esses artefatos , ao longo do tempo eles vão desaparecer para sempre.

Independentemente da sua posição sobre este assunto, certamente a história do Titanic será lembrada por muito tempo.

Imagem de parte da estrutura do Titanic, feita por modernos equipamentos de rastreamento do solo marinho

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CASAL DE EX-CANGACEIROS DE LAMPIÃO CONTA COMO ERA A VIDA NO CANGAÇO

AUTOR – Nonato Freitas – Jornalista, bacharel em Letras pela Universidade de Fortaleza (UniFor), poeta, pesquisador e servidor aposentado pelo Senado Federal

FONTE – Revista SENATUS – Maio 2008, Senado Federal, Brasília – DF

Depois de 66 anos no mais absoluto anonimato, sem contar nada a ninguém sobre a vida deles no cangaço, Moreno e Durvalina, a Durvinha, único casal de cangaceiros do bando de Lampião (Virgulino Ferreira da Silva) e Maria Bonita ainda vivo, resolveram relatar os longos e dramáticos momentos que juntos passaram na caatinga sob a perseguição implacável da polícia. No dia da morte do Rei do Cangaço, na Gruta de Angico, na beira do rio São Francisco, em Sergipe, pela volante (força policial) do tenente João Bezerra, Moreno e Durvalina estavam em Mata Grande, distante 70 quilômetros do local. Homem de confiança de Virgulino, ele cumpria uma missão no comando de um subgrupo de cangaceiros.
Moreno lembra que, além de Lampião e Maria Bonita, mais nove cangaceiros foram mortos e degolados naquele dia (28 de
julho de 1938). Ao todo, entre homens e mulheres, eram cerca de 47 pessoas. Os que escaparam do cerco se entregaram em seguida à polícia. Corisco, o Diabo Louro, sanguinário e igualmente homem de total confiança de Lampião, no momento do massacre encontrava-se do outro lado do rio, a três quilômetros de Angico.
Tinha sob seu comando um subgrupo. Moreno recorda que Corisco chegou a ouvir os tiros, mas nada pôde fazer em defesa dos companheiros por estar à margem oposta do rio, sem condição de atravessá-lo.

Hoje, aos 98 anos, Moreno vive com Durvalina, de 93, em Belo Horizonte. Ambos estão aí vivinhos, lúcidos e cheios de
histórias para contar. Histórias repletas de dramas vividos num tempo em que, no Nordeste, a lei era ditada pela boca do
mosquetão e pelas afiadas lâminas de punhais que chegavam a medir 87 centímetros.
Com a morte de Lampião, o medo se espalhou como um fantasma entre os cangaceiros que não haviam sido capturados.
Eles temiam ser degolados a qualquer momento. Assim mesmo continuavam a desafiar as incansáveis volantes que eram comandadas por homens experientes e destemidos.
Dois anos após a morte de Lampião, o tenente Zé Rufino, da polícia alagoana, temível caçador de cangaceiros, decepou a cabeça de Corisco, que preferiu morrer lutando a se entregar às forças do governo. Naquele tempo, a ordem era uma só: ou o cangaceiro se entregava, ou então era morto e degolado em seguida. Diante dessa crua realidade, Moreno tomou uma decisão. Homem corajoso que sempre foi, chamou a companheira de um lado e confessou que não se entregaria aos macacos, termo usado por Lampião e seus cabras para desqualificar os soldados das volantes.

SOZINHOS NA CAATINGA

Depois daquela manhã em que Lampião tombou morto ao lado de sua amada Maria e de mais nove companheiros, o cangaço, na verdade, ficaria riscado, definitivamente, do mapa do Nordeste.
Corisco ainda resistiu durante dois anos ao lado de Dadá, sua brava e fiel companheira. Mas sem Lampião, sem Maria Bonita, e tantos outros, como Corisco, Luiz Pedro, Virgínio, Zé Baiano, Juriti, Ezequiel (Ponto Fino, irmão de Lampião), Sabonete, Menino de Ouro e Jararaca, todos eles homens rudes e de extrema valentia, sem essas legendas do cangaço, que ficaram para trás, mortos em combate com as volantes, o mundo do crime nada mais representava para Moreno e sua Durvalina.

O que fazer então com a vida? Abrir mão da liberdade e se entregar à polícia? Ou seria melhor pôr o pé na estrada e fugir?
Fugir para onde, se apenas conheciam as veredas áridas e abrasadoras das caatingas? E se na próxima curva dos caminhos
desérticos fossem surpreendidos por uma volante? Ah, isso tudo ia moendo, pouco a pouco, o juízo de Moreno.
Era o ano de 1940. Lá fora Hitler mostrava suas garras para o mundo. A Segunda Grande Guerra, com as famigeradas câmaras
de gás, começava a ceifar milhares de vidas inocentes. No cinema, a grande sensação era E o vento levou, rodado um ano atrás em Hollywood. No Brasil, para variar, surgia um movimento simpático ao III Reich, ou seja, algumas figuras importantes da nossa política trabalhavam, às escondidas, em prol das idéias nazistas lideradas por Hitler. Felizmente o raciocínio não vingou e, dois anos depois,no dia 23 de agosto de 1942, Getúlio Vargas decide declarar guerra ao eixo formado por Alemanha, Itália e Japão. Mas para Moreno, perdido naquele mundinho de nada, sem tomar conhecimento de qualquer fato exterior, nada disso tinha a menor importância.

Em pleno sertão nordestino, acuado agora pela solidão de haver perdido tantos amigos, Moreno optou então pela fuga. Mas,
como um homem rude, sem nenhuma instrução escolar, que mal conhecia os limites da região onde nasceu e da qual nunca se
ausentou, conseguiu romper a vigilância dos homens da lei e fugir, ao lado de sua amada, para um lugar tão distante como Minas Gerais? Pois Moreno e Durvalina, caro leitor, conseguiram romper esse cerco.
Antes de contar esta fascinante história de fuga, vamos conhecer um pouco a trajetória desses dois intrépidos cangaceiros.
Natural de Tacaratu, PE, Moreno, cujo nome completo é Antonio Ignácio da Silva, nasceu no dia lº de novembro de 1909. São seus pais: Manuel Ignácio da Silva e Maria Joaquina de Jesus. Ele entrou para o cangaço ali pelo ano de 1930, quando era apenas um jovem de 21 anos. Antes de abraçar a vida do cangaço, Moreno era um pacato trabalhador que ganhava seu honesto dinheirinho prestando serviços nas fazendas da região. Numa destas fazendas, de propriedade de um senhor chamado André, Moreno, ou melhor, Antonio (como era chamado antes de ingressar no cangaço), praticou o primeiro homicídio, das 21 mortes que cometeu durante sua longa vida de cangaceiro. O fato é narrado em todos os seus detalhes por João de Sousa Lima, diretor de publicação e arquivo público do Instituto Histórico e Geográfico de Paulo Afonso, na Bahia, no livro intitulado Moreno e Durvinha – Sangue, amor e fuga no cangaço, lançado em 2006.

Uma sobrinha do dono da fazenda enamora-se de Antonio. Para azedar a amizade entre ambos, uma agregada da propriedade, conhecida por Antoninha, conta para Antonio que a moça não é mais virgem. Acrescenta que ela havia “se perdido” em troca de uma novilha de gado. Esta mesma conversa é levada ao conhecimento de André pela própria Antoninha, mas de forma envenenada. Diz que o boato fora espalhado por Antonio, que é abordado pelo patrão. Injuriado, ele nega tudo, argumentando que soube do fato pela boca de Antoninha. Ao entardecer, André reúne no pátio da fazenda, além de sua sobrinha, todas as pessoas que convivem ali com ele. Lá estão também Antonio, um irmão de André, de nome Ananias, Antoninha e seu marido. Ao notar a aproximação de Antonio, Antoninha se antecipa, dizendo:

- Oh, seu Zé, que história é essa que o senhor foi contar
para o André?

- Aquela que você me contou.

- Mentira sua, disse ela nervosa.

Antonio respondeu que não era homem de mentira e aplicou um violento murro na orelha de Antoninha, que caiu zonza no
chão. Diante da cena, o marido dela partiu furioso sobre Antonio, que sacou de uma faca peixeira e, ato contínuo, cravou a arma no peito do homem, que caiu se esvaindo em sangue sobre a mulher e, em seguida, morreu.
Antes de fugir, Antonio, a faca assassina em punho, ainda mirou as pessoas ali presentes com o olhar transtornado de quem
estava pronto para o que desse e viesse. “Quem se considerar meu amigo não se aproxime!”. Como ninguém fez um único gesto para detê-lo, pegou o caminho do mato e sumiu no meio do mundo. Esta foi a porta aberta para Antonio entrar no desafiante e incrível mundo do cangaço. Depois de trabalhar numa usina de açúcar e em algumas fazendas da região, Antonio se depara, numa dessas propriedades, com um bando de cangaceiros. Eram eles: Virgínio, Luiz Pedro, Maçarico, Fortaleza e Salviano, vulgo Medalha.

Deixaram com ele um recado para o Sr. Antonim, dono da fazenda, avisando que em determinado prazo voltariam para pegar uma encomenda. Eram duzentos mil réis. Quando voltaram, trouxeram com eles um coiteiro, devidamente amarrado, que os havia denunciado à polícia. Traição no cangaço era sinônimo de morte. Os cangaceiros se arrancharam na fazenda durante uns três dias e fizeram amizade com Antonio, que se mostrou interessado em segui-los. Antes de partirem, submeteram-no a um teste de fogo. Entregaram-lhe uma “Mauser” (carabina automática, de fabricação alemã) e pediram que fizesse o serviço.

Frio como uma pedra de gelo, Antonio segurou a arma com firmeza e mirou calmamente o peito do miserável. Em seguida,
acionou o gatilho. O pobre homem caiu morto no meio do acampamento. Naquele instante, Luiz Pedro, famoso pela valentia e
por ser um dos homens de confiança de Lampião, deu dois passos em direção a Antonio e afirmou, convicto: “Você vai com a gente. E de agora em diante seu novo nome será Moreno”. Estava, assim, selado o batismo do ingresso de Antonio Ignácio da Silva no cangaço. Por ser um homem extremamente arisco e muito valente e, acima de tudo, pelo faro que tinha das coisas, cedo se destacou entre os companheiros como uma pessoa altamente preparada para o cangaço. Mais tarde vamos vê-lo substituindo Virgínio, cangaceiro morto em combate, no comando de um subgrupo de Lampião.

Durvalina Gomes de Sá nasceu em Paulo Afonso, BA, no dia 25 de dezembro de 1915. Seu umbigo está enterrado na Fazenda
Arrasta-pé, de propriedade de seus pais, Pedro Gomes de Sá e Santina Gomes de Sá. A fazenda, um oasisinho aconchegante,
ficava a dois passos do Raso da Catarina, região inóspita, talvez a mais inóspita do País. Era lá, no Raso, onde Lampião e seus cabras se refugiavam quando a perseguição das volantes se tornava mais intensa. Amigo da família de Durvalina, Lampião escolheu a fazenda Arrasta-pé como um dos seus coutos preferidos. O local, palco de comemorações familiares, com direito às devidas festinhas, vivia sempre rodeado de cangaceiros.
Numa dessas visitas, o cangaceiro Virgínio, vulgo Moderno, viúvo de Angélica Ferreira da Silva, irmã mais velha de Lampião,
se enfeitiçou por Durvalina, que tinha apenas 15 anos. Ela era muito bonita e vivia triturando o coração dos rapazes que frequentavam a fazenda de seus pais. Virgínio, 27 anos, natural do Rio Grande do Norte (nasceu em 1903), com fama de galanteador, não perdeu tempo. Pegou Durvalina e, para desespero dos pais dela, fugiu com a moça para o cangaço.

Amigo próximo e ex-cunhado de Lampião, Virgínio era chefe de um sub-bando. Perverso, costumava castrar suas vítimas.
Há registro de diversos casos em que ele mesmo castrava ou mandava alguém do bando executar o serviço.
Durvalina nutria por ele um grande amor. Tiveram dois filhos, Lourdes e Pedro, que, criados longe dos pais, vieram a falecer nos primeiros anos de vida. Durvalina ficou ao lado de Virgínio até o dia em que, atingido no joelho por uma bala desferida em combate por um soldado, ele morreu depois de perder muito sangue.

Profundamente abatida, Durvinha é amparada por Moreno, que faz parte do grupo, sendo a segunda pessoa de Virgínio. Ele
pergunta se ela quer voltar para a casa dos pais ou se quer ficar com ele. Ela aceita ficar com Moreno. Então, a partir daquele
momento, Durvalina e Moreno iniciam um romance que se perpetua até os dias de hoje. São 72 anos de união.
Agora, Moreno é o novo chefe do bando. Amigo inseparável de Virgínio, ele chora copiosamente no momento em que vai
enterrar o velho companheiro de incontáveis lutas. Em seu livro, João de Sousa Lima conta que, no dia seguinte à morte de Virgínio, ocorrida em outubro de 1936, nas proximidades da fazenda Rejeitado, sul de Sertânia, Pernambuco, os soldados desenterraram o corpo dele e arrancaram os dentes de ouro que estavam incrustados na boca do morto. E ainda, num ato de extrema selvageria, cortaram a orelha do cangaceiro e a levaram salgada para ser exibida no povoado Morro Redondo.

Com a morte de Virgínio, Moreno assume a chefia do grupo, que começa a se esvaziar. Mas a debandada é passageira. Logo o
bando se fortalece de novo e Moreno segue sua vida no cangaço ao lado de Durvalina. Vez por outra ele retoma o contato com Lampião para juntos discutirem estratégias e novas investidas dos grupos. Nesses encontros, que se dão em coutos ou em plena caatinga, as presenças de Corisco, Luiz Pedro e Zé Sereno, também chefes de subgrupos, são imprescindíveis. Vale lembrar que os subgrupos funcionavam sob a supervisão de Virgulino.

No intenso calor das caatingas, saqueando ou fugindo das volantes, a vida de Moreno e Durvalina era um verdadeiro inferno.
Nos poucos momentos em que não estavam sob a mira dos fuzis inimigos, os dois aproveitam as sombras da noite para fazer
amor. Algumas vezes nem podiam terminar o ato porque eram surpreendidos pelas volantes e tinham que fugir às pressas.

Numa dessas paradas, com o céu incendiado de estrelas, conforme lembra Durvalina, a polícia não apareceu. E ali, no meio da
mais profunda solidão da caatinga, os dois se amaram intensamente. E vieram outras noites calmas e abençoadas por Cupido.
Outras manhãs, outras tardes, outras madrugadas. E haja amor entre os dois cangaceiros. Corria o ano de 1937. Durvalina passou a mão sobre a barriga e descobriu que estava grávida. No dia 03 de janeiro de 1938, ela deu à luz um menino, nos carrascais da fazenda Riachão, em Tacaratu. Quem serviu de parteiro foi o próprio Moreno.
Com muitas dificuldades para criar o menino na vida de nômades que levavam, Moreno e Durvalina decidiram doar a criança
para o cônego Frederico Oliveira Araújo, de Tacaratu. A criança foi batizada com o nome de Inácio e ficou com o padre até o dia em que este morreu, 14 de janeiro de 1944. Depois, Inácio foi levado à cidade de Paulo Afonso para conhecer a verdadeira família. Hoje, Inacinho, como é mais conhecido, vive no Rio de Janeiro, onde é oficial da Polícia Militar daquele estado.

A FUGA

Agora que o cangaço não tinha mais horizontes, pois todos os seus grandes líderes, como Lampião e Corisco, estavam mortos,
só haviam duas saídas para Moreno: se entregar à polícia ou fugir. O próprio padre Frederico Oliveira fazia apelos insistentes para que o casal fugisse, pois do contrário a presença deles em suas terras, caso fossem descobertos, poderia trazer grandes problemas para o sacerdote. Moreno decidiu atender os pedidos do padre, mas disse para Pedro Tiririca, porta-voz do vigário, que precisava de ajuda para ir embora. O padre lhe mandou roupas, calçados, um burro com mantimentos e 200 mil réis.
No dia 02 de fevereiro de 1940, dia da Festa de Nossa Senhora da Saúde, Padroeira de Tacaratu, os cangaceiros aproveitaram o silêncio da noite e partiram. Tiveram, antes, o cuidado de trocar as tradicionais roupas do cangaço por vestes comuns. Em seguida, Moreno escondeu todas as balas num oco de pau. Depois, emocionado, pegou o velho mosquetão que o acompanhou por tanto tempo e o colocou, cuidadosamente, na fenda de uma rocha. Ali também deixou o chapéu, mas não se esqueceu de arrancar da peça uma moeda de ouro e uma libra esterlina que serviam de adorno. Com o coração partido, Durvalina chorou copiosamente por se ver forçada a afastasse do filho. Moreno, acostumado às brutais estocadas do cangaço, também não resistiu e seus olhos encheram-se de lágrimas. E ainda improvisou os seguintes versos: “Dentro do meu coração/Nasceu um pé de flor/Mas toda folhinha murchou/por causa de meu filho Inacinho/Que em Tacaratu ficou”. Matos têm olhos e paredes têm ouvidos. Era preciso, portanto, muito cuidado nessa nova empreitada. O peito protegido por uma medalha de Nossa Senhora e do Sagrado Coração de Jesus, Durvalina, um longo xale a cobrir-lhe a cabeça e os ombros, era a imagem perfeita de uma pacata senhora em sua monótona mas decidida marcha rumo ao desconhecido. De nomes mudados, os cangaceiros pegaram as margens do rio São Francisco, cuja rota seguia em direção a Minas Gerais. Quando perguntavam para onde iam, a resposta era a sempre a mesma: “Somos romeiros e vamos pagar uma promessa em Bom Jesus da Lapa”.

O autor deste blog junto ao filho de Moreno e Durvinha, Inácio.

Depois de quatro longos e extenuantes meses, alimentando-se de peixes, arroz de leite, arroz solto, feijão, farinha, rapadura,
tudo isso servido por pescadores e ribeirinhos, sem falar nos mantimentos dados pelo padre, chegam finalmente a Bom Jesus
da Lapa, interior da Bahia.

Logo nos arrabaldes da cidade, foram acolhidos na casa de uma senhora chamada Gertrudes. “Durvalina chegou aos extremos
de suas capacidades, dentro do seu limite, enfadada, sentindo dores e o corpo com um pouco de inchaço”, observa João Lima
em seu livro. A cangaceira estava há vários dias com a menstruação atrasada. Mesmo recebendo o carinho e a atenção da dona da casa, que abrigou o casal por uns dias, o estado de saúde de Durvalina se agravava cada vez mais. Chegou um momento em que, enlouquecida, saiu correndo totalmente nua ao encontro de Moreno, que estava descansando, sentado debaixo de uma árvore na frente da casa. Ao perceber a cena, assustado, ele segurou a companheira e a conduziu para dentro da residência. Dias depois, já restabelecida, Durvalina parte em companhia de Moreno na carroceria do primeiro caminhão que encontraram parado na feirinha da cidade. No bolso, os duzentos mil réis que acabara de receber com a venda do burro. Seguiram rumo a Montes Claros, Minas Gerais, mas desceram em Araçuaí, no entroncamento, pois o motorista havia avisado que só ia até aquele local. De lá foram furando de novo a estrada a pé. Doçura de caminhada. O pior já tinham deixado lá para trás. Chegaram em Montes Claros ao alvorecer do outro dia. Compraram umas coisinhas na estação, com o dinheiro apurado na venda do burrinho e, em seguida, tomaram a direção de Bocaiúva. Ali passaram um ano na fazenda Taboa, onde Moreno trabalhava cortando lenha para a velha Maria Fumaça, maquinazinha a vapor que até hoje encanta as pessoas.
Moreno queria abrir novas veredas. Então, arrumou de novo as tralhas e partiu com Durvalina para Augusto de Lima, onde
trabalharam na fazenda Curumataí, no povoado de Santa Bárbara, de propriedade do Sr. Torval Sampaio, durante dez anos. Dez anos de trabalhos abençoados. Moreno começou a crescer. Além de cultivar muita mandioca, ele extraía lenha e vendia o produto para a Estrada de Ferro Central do Brasil. Chegou a ser o maior fornecedor de farinha da região do Norte de Minas. Seus negócios prosperam bastante. Depois, abriu uma casa noturna, que permaneceria em seu poder até o ano de 2000, quando resolveu “se aposentar”, aos 91 anos.

Hoje, ele vive em Belo Horizonte ao lado da mulher e dos cinco filhos (além dos netos e bisnetos), todos nascidos em Minas.
São eles: Murilo, João, Nely, Dadá e Dinho. Inacinho, o primeiro filho deixado para o padre Frederico criar, virou oficial de
polícia e vive no Rio de Janeiro. Aliás, o casal soube orientar bem os filhos. João, além de poliglota (escreve e fala fluentemente vários idiomas sem nunca ter ido a uma escola especializada), é maître de um grande hotel em Belo Horizonte. Nely é funcionária pública, Murilo foi motorista e aposentou-se como instrutor da empresa de ônibus Gontijo, e Dinho é comerciante. O casal passou 66 anos, desde o dia em que deixou o cangaço, no mais absoluto segredo, sem contar um dedo de sua emocionante história a ninguém. A ninguém mesmo. Nem os filhos sabiam de nada. Em 2005, adoentado, Moreno pensou que ia morrer e resolveu contar tudo para os filhos. Antes, conversou com Durvalina sobre o assunto, mas ela não concordou com o marido. Depois de muita insistência ela cedeu. A primeira pessoa a saber dos fatos foi Murilo, filho mais velho do casal. Depois, os ex-cangaceiros reuniram o restante da família e contaram, olho no olho de cada filho, a longa e dramática vida que levaram no cangaço.

A emoção tomou conta de toda a família e, como não podia ser diferente, as lágrimas inundaram os olhos de todos. Nely começa a travar uma alucinada busca na esperança de localizar o irmão Inacinho. Faz desesperadas tentativas. Liga pra quase todo mundo em Tacaratu, cidade onde ele foi deixado pelos pais com o padre Frederico Araújo. Depois de angustiantes telefonemas conseguiu falar com a Casa de Cultura e, por intermédio de dona Joana, fica sabendo que Inacinho vivia no Rio de Janeiro e só aparecia em Tacaratu durante os festejos da Padroeira. Quando Nely falou com o irmão pelo telefone e contou a história dos pais, Inacinho pensou tratar-se de mais um dos muitos trotes que recebera na ânsia de localizá-los. Então, para convencer o irmão, Nely pôs Durvalina do outro lado da linha.

Finalmente convencido de que Durvalina era sua mãe, ele desabou a chorar.
O encontro de Inacinho com os pais e o restante dos irmãos e demais parentes, inclusive os tios, irmãos de Durvalina, se deu no dia 05 de novembro de 2005 na casa de Moreno, em Belo Horizonte. Parecia cena de filme. Aliás, o cineasta cearense Wolney Oliveira vai aproveitar algumas imagens que fez desse encontro para o filme que está rodando sobre o cangaço, intitulado Lampião, Governador do Sertão.

Durvinha faleceu em 2008 e Moreno em 2010

ELEANOR ROOSEVELT E PARNAMIRIM FIELD COMO A MAIOR BASE AÉREA DOS AMERICANOS NA II GUERRA MUNDIAL

Eleanor Roosevelt

Eleanor Roosevelt era a esposa do presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt (1882 – 1945).  Conhecida pela sua ação em ajudar os mais necessitados através da caridade, foi também autora e uma defensora incansável das causas sociais.

Em 1944 esta brilhante mulher esteve em Natal, visitando Parnamirim Field e autoridades locais.

Anna Eleanor Roosevelt nasceu em New York, em 11 de outubro de 1884. Sua família era financeiramente estável, mas perturbada. Seu pai era Elliott Roosevelt, o irmão mais novo do ex-presidente americano Theodore Roosevelt (1858-1919). Apesar de bonito e charmoso, Elliott sofria de depressão mental e alcoolismo. Já a mãe de Eleanor estava preocupada com a imagem da família na alta sociedade e transmitia extrema vergonha pela aparência física de Eleanor, que não foi considerada bonita.

Na época da escola

Embora o pai de Eleanor fosse considerado ausente, ela o considerava um pai maravilhoso e fascinante. Quando Eleanor era uma criança, seu pai entrou uma instituição para alcoólatras. Foi uma das muitas perdas iniciais para a jovem, cuja mãe morreu quando ela tinha apenas oito anos de idade. Após a morte de sua mãe, Eleanor e seus dois irmãos mais novos foram viver com sua avó materna, em Nova York. Pouco tempo depois o irmão mais velho morreu. Quando Eleanor ainda não havia completado 10 anos, ela soube que seu pai havia morrido. Sua avó abrigou-a de todo o contato exterior, exceto para os amigos da família.

Eleanor Roosevelt começou a descobrir um mundo além de sua família depois de frequentar uma escola para mulheres jovens na, Inglaterra, quando tinha 15 anos de idade. Para ela a sua escola lhe ensinou um sentido maior de responsabilidade com a sociedade. Eleanor começou a agir de acordo com este ensinamento depois de seu retorno a Nova York. Mergulhou no trabalho em pról dos mais carentes. Ao mesmo tempo, seu primo, alto e bonito, Franklin Delano Roosevelt, começou a cortejá-la. Eles se casaram em março de 1905. Eleanor tinha agora de lidar com uma avó controladora e com um marido que gostava de estar em público e que realmente não entendia a luta de Eleanor para superar sua timidez e insegurança.

Os Rosevelt. Uma relação bem longe da perfeição.

Entre 1906 e 1916, os Roosevelt tiveram seis filhos, um dos quais morreu quando criança. A família viveu em Hyde Park, Nova York, enquanto Franklin focava em suas ambições políticas para se tornar uma figura importante no Partido Democrata. Ele exerceu um mandato de Senador pelo estado de Nova York no senado americano, antes do presidente Woodrow Wilson  nomeá-lo como secretário assistente da Marinha em 1913. Embora Eleanor tenha realizado muitos trabalhos voluntários pela Cruz Vermelha durante a I Guerra Mundial (1914-18), ela permaneceu fora do olho público.

Um importante ponto de mudança na vida de Eleanor veio em 1921, quando Franklin contraiu poliomielite e sofreu de paralisia e perdeu a mobilidade das pernas. Eleanor fez tudo para o marido volta à atividade política. Dentro de poucos anos havia recuperado sua força e ambições políticas. Enquanto isso, Eleanor tinha-se tornado uma importante figura pública, trabalhando para um maior envolvimento ativo das mulheres em vários setores do governo. Ela começou a agir como se fosse as “pernas e ouvidos” do depois que Franklin tornou-se governador de Nova York em 1928, Ela se manteve muito ocupada inspecionando hospitais estaduais, casas e prisões.

No final de 1930 os tambores de guerra ecoavam e mostravam que os Estados Unidos seguia para a luta.

Eleanor Roosevelt falou vigorosamente em favor da política externa de seu marido.  Depois que os Estados Unidos entraram formalmente a Segunda Guerra Mundial em dezembro de 1941, ela fez várias viagens ao exterior para impulsionar os espíritos de soldados e de inspecionar as instalações da Cruz Vermelha.

Eleanor em diálogo com o Brigadeiro Eduardo Gomes e o Bispo de Natal, Dom Marcolino Dantas

Eleanor Roosevelt visitou o Brasil entre 14 e 17 de março de 1944, onde visitou Belém, Natal e Recife. Na capital potiguar ela visitou a Base de Parnamirim, esteve com autoridades locais. Esteve na sede do USO, o clube de recreio dos militares americanos, que ficava na praça Augusto Severo, por trás da antiga Rodoviária, no bairro da Ribeira. Ali ela foi reconhecida e ovacionada por muitos natalenses. Esteve também na Base Naval de Natal, onde elogiou as instalações.

Condecorando oficiais da US Navy em Parnamirim Field

Um fato interessante foi que para os jornalistas a Sra. Eleanor Roosevelt afirmou (e assim foi reproduzido) que a base aérea de Parnamirim era “A mais bem equipada do Mundo”. Mesmo reproduzindo o que ela disse, os jornalistas locais claramente se empolgaram e lascaram em letras destacadas “A maior base do Mundo”. E parece que a coisa pegou.

Eu entendi que aparentemente na época ninguém leu o conteúdo e ficaram nas letras destacadas.

Muita gente fala até hoje sobre isso, mas eu pessoalmente nunca vi nenhum documento de lá, informando, ou corroborando a informação que Parnamirim Field foi a maior base aérea norte-americana em atividade na Segunda Guerra.

Maior base?

A escritora Clarice Lispector, em uma carta endereçada a Elisa Lispector e a Tania Kaufman, em Belém, no dia 18 de março de 1944, fez os seguintes comentários sobre Eleanor Roosevelt, que está reproduzida no  livro “Clarice Fotobiografia”,  de autoria Nádia Battella GOTLIB e publicado pela Editora da USP.

“… A senhora Eleanor Roosevelt passou por aqui. Fomos convidados para recebê-la no aeroporto e para ir à recepção dada a ela. Fui com meu vestido preto. Ela é simpaticíssima, muito simples, vestida com muita modéstia, bem mais bonita pessoalmente do que nas fotografias e no cinema. No dia seguinte, ela deu entrevista coletiva à imprensa, eu fui, mandei noticiário telefônico para A NOITE, mesmo estando de licença porque não queria perder a chance”.

Depois de Franklin Roosevelt morreu no cargo em abril de 1945, esperavam que Eleanor se retirasse para uma vida privada e tranquila. No entanto, até o final do ano, ela estava de volta em público. O novo presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman a indicou co0mo representante americano para a Comissão das Nações Unidas sobre Direitos Humanos. Ela permaneceu no cargo até 1952. Mais tarde, ela continuou a trabalhar para a compreensão e cooperação internacional, atuando como um representante da Associação Americana para as Nações Unidas.

Durante a última década de sua vida Eleanor Roosevelt viajou para vários países estrangeiros, incluindo a temida União Soviética. Ela completou sua Autobiografia em 1961.

Ela morreu em Nova York, em 06 de novembro de 1962.

Apesar de sua infância tímida e solitária, Eleanor Roosevelt tornou-se uma das mulheres mais importantes do século XX e sua ação inspirou milhares de mulheres.

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