O BRASIL ESTÁ REAGINDO
Incrível, o povo está nas ruas, está no teto do Congresso Nacional, está na Avenida Paulista, está nas ruas do Rio e em muitos lugares…
Se antes havia a quase certeza que partidos de extrema esquerda incitavam a baderna e desordem em relação ao aumento das passagens, agora percebemos que isso se tornou mais em um estopim.
A coisa toda é uma surpresa total, principalmente para o governo e ninguém consegue arriscar um entendimento do que está acontecendo por todo Brasil.
Dá para ver que ocorre uma insatisfação e uma irritação com muita coisa. É raiva dos gastos da Copa, é raiva da corrupção, é raiva de ladrão, de menor assassino que não vai preso e por aí vai. Parece que o tranquilo brasileiro acordou e quer fazer igual aos argentinos, que volta e meia vão para frente do palácio presidencial deles.
Chegamos a uma situação tal, que se a coisa não for por este caminho do protesto de rua (que para mim só vale se for pacífico e democrático), muito pouco vai mudar. Tomara que a galera que está no poder perceba isso, pois na década de 1960, eram eles que estavam nas ruas.
Já faz mais de 20 anos que o povo foi para as ruas por razões políticas, para erguer uma bandeira, por uma causa. Agora sua voz volta e parece que com força. É melhor que ver nosso povo indo apara as ruas apenas para encontros religiosos e carnaval fora de época.
Tal como no Oriente Médio, estamos vendo a força e a capacidade de mobilização das redes sociais, que estão revolucionando tudo e todos.
Mas certamente não vai adiantar de nada ir agora para as ruas e nas próximas eleições fazer papel de gado e permanecer no curral eleitoral mugindo para o dono.
E o futuro está aí, mas não sei onde vamos. Vamos ver o que vai ocorrer. Tomara e peço a Deus que siga para o lado positivo!
Só sei que o momento é histórico e quero está lá…
Rostand Medeiros
MINHA HOMENAGEM A RECIFE E OLINDA
Estas duas cidades são extremamente importantes na minha vida. Quem me conhece pessoalmente sabe da admiração que tenho por Pernambuco, seu povo e sua história, mas Recife e Olinda são especiais para mim.
Nada melhor do que trazer antigos postais e fotos destas duas maravilhosas cidades.
A ideia aqui não é fazer nenhuma postagem seguindo uma ordem cronológica rígida, ou utilizar esta iconografia para apontar algum fato específico, mas apenas homenagear estas cidades que escutam o baque solto do Maracatu.

Início do século XX, uma praça chamada Santos Dumont, onde os bancos sob as árvores frondosas eram mais importantes que o espaço dos automóveis. Não posso garantir que seja a atual Praça Santos Dumont na confluência das ruas Couto Magalhães com a Santos Dumont, perto do Estadio do Arruda.

A Praça da República. talvez hoje não seja tão movimentada como este cartão postal pintado a mão mostra, mas ainda mantém muito de sua beleza.

Faculdade de Direito de Recife, onde muita gente do Nordeste, muitos de Natal (entre estes Câmara Cascudo), buscavam o conhecimento.

A Estação Ferroviária Central de Pernambuco, ou apenas Estação Central do Recife, inaugurada em 1885 pela empresa inglesa Great Western, que na época tornou-se proprietária da E. F. Central de Pernambuco, que na época seguia para Jaboatão e depois foi sendo prolongada sucessivamente no sentido oeste do Estado.

Ponte Maurício de Nassau. Local extremamente histórico, esta ponte teve sua construção iniciada em 1640 pelo arquiteto Baltazar de Affonseca, por ordem do conde holandês Maurício de Nassau, feita em madeira, e inaugurada em 28 de fevereiro de 1644, sendo considerada a primeira ponte de grande porte do Brasil e a mais antiga da América Latina.

Cais 22 de Novembro, antigo Cais do Ramos ou do Colégio. Se não me engano hoje é o Cais da Regeneração.

Casa de Banhos ficava no dique natural do Porto do Recife, onde atualmente se encontra o Parque das Esculturas de Francisco Brennand e o Farol do Recife. Foi construída em 1880 por Carlos José de Medeiros e no início do Século XX foi bastante frequentada pela sociedade recifense, que para ali se dirigia para tomar banho salgado em suas piscinas naturais. Era uma época onde o recato era muito intenso.

Ponte Buarque de Macedo, sobre o Rio Capibaribe, no centro do Recife. Liga os bairros do Recife e Santo Antônio, tendo sido inicialmente construída em madeira no ano de 1845.

Como todo local deste nosso belo e desigual país, o passado de Recife e Olinda não tinha apenas belezas, mas também locais onde a vida era bem difícil. Sem identificação deste local.

Edifícios dos banco River Plate e da Associação Comercial, no encontro das Avenidas Rio Branco e Marquês de Olinda.

Escultura do Barão do Rio Branco, obra do francês Felix Charpeutier, colocada ali em 1917, em bronze com uma altura de 2,5 metros e inaugurada sob um pedestal em pedra de 4,20 m, esculpido por Corbiniano Vilaça, em 19 de agosto do mesmo ano. Dando a obra uma altura de 7 metros. Foto da década de 1930.

O Grande Hotel de Recife. Parece que toda capital brasileira tinha o seu “Grande Hotel”. Sei que existe o daqui de Natal e existe (ou existia?) um em Belém.
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COM A PALAVRA, O SOLDADO RASO
Autor – AUGUSTO NUNES – Revista Veja
Mesmo antigos seguidores dos Paralamas do Sucesso reagem com espanto à descoberta de que o baterista João Barone é um especialista em II Guerra Mundial, já escreveu um livro sobre o tema e acaba de publicar outro, agora tratando exclusivamente da Força Expedicionária Brasileira. Como é possível encontrar espaço na agitada agenda de roqueiro para pesquisas sobre o maior dos conflitos registrados desde o Dia da Criação? A leitura de 1942 — O Brasil e Sua Guerra Quase Desconhecida ordena que a pergunta seja invertida: como é que Barone consegue atender aos compromissos da banda se aparentemente consome 24 horas por dia no resgate de acontecimentos ocorridos há setenta anos?
Filho de um dos 25 000 combatentes da FEB, o Barone historiador começou a tomar forma embalado não pelo que ouviu do pai, mas pelo que João de Lavor Reis e Silva, um introvertido de nascença, deixou de contar. Ele se tornava mais retraído ainda quando a conversa enveredava pela experiência vivida entre setembro de 1944 e maio de 1945, período em que participou da ofensiva militar aliada que libertou o norte da Itália, consumou a derrocada dos alemães numa região de alta relevância estratégica e apressou o fim da guerra em território europeu. Os filhos ansiavam por atos heroicos. Nas raras ocasiões em que se dispôs a falar sobre o assunto, o pracinha de poucas palavras interrompeu o relato no meio ou substituiu revelações por reticências.
Barone primeiro recorreu à imaginação para reconstituir as aventuras encobertas pelo silêncio. Depois de herdar o capacete de expedicionário, saiu à caça de testemunhas, documentos e imagens que lhe permitissem ao menos vislumbrar o que o pai viu de perto. Incursões pelos cenários do drama completaram o curso intensivo que fez de Barone um diplomado em II Guerra, com doutorado em FEB. O destino impediu que o soldado raso do Regimento Sampaio descobrisse que o filho hoje sabe muito mais do que ele sobre a guerra a que sobreviveu. O velho pracinha gostaria de ouvir a assombrosa história do soldado Dálvaro José de Oliveira, que resistiu num único dia a dois naufrágios provocados por torpedos alemães. Ou o caso do catarinense que encontrou um conterrâneo de ascendência germânica no grupo de prisioneiros e trocou um caloroso abraço com o agora inimigo.
Quantas mulheres se engajaram na FEB? Quem foi o primeiro a tombar em combate, por que a metralhadora inimiga foi apelidada de “Lurdinha”, quantos bombardeios somaram os aviadores brasileiros? Barone sabe tudo isso. E muito mais. Conjugadas a depoimentos e revelações surpreendentes, as informações contidas no livro resultam numa narrativa sem parentesco com a história oficial. Vista pelas lunetas dos chefes civis e militares, a saga da FEB parece o Brasil Maravilha dos discursos de Lula: se melhorar, estraga. Comandadas por generais que não fariam feio num confronto com Napoleão Bonaparte, as tropas brasileiras, protegidas pelos pilotos do Senta a Pua!, colecionaram vitórias tão espetaculares que nem vale a pena registrar um ou outro revés.
Essa versão edulcorada tem sido retificada por obras que tratam a verdade com o devido respeito. É o caso do essencial As Duas Faces da Glória, do jornalista William Waack. E é o caso de 1942. O entusiasmo de pracinha honorário em nenhum momento deforma o olhar de Barone. É o olhar do pai. Vista pelo filho de João de Lavor Reis e Silva ─ ou apenas João da Silva, protagonista do episódio fictício que abre o livro ─, foi bonita a história da FEB. Mas bonita de outro jeito. “As lições da participação brasileira vão muito além da velha necessidade de reafirmar a bravura e o heroísmo dos pracinhas no campo de batalha”, escreveu Barone. “Naquela época, foi tão difícil constituir uma força militar para tomar parte na guerra quanto é difícil nos dias de hoje preparar o país para sediar uma Copa do Mundo, uma Olimpíada ou para prevenir as enchentes de verão (vale lembrar que o total de 916 mortes e 345 desaparecimentos com as chuvas de 2011 no Rio por pouco não superou os cerca de 1 500 brasileiros mortos na II Guerra Mundial).” Refletir sobre o que houve entre 1942 e 1945, insiste Barone, poderia ajudar a desfazer a sensação de que o país nunca aprende com os erros do passado. Não foram poucos os erros que pontuaram a saga da FEB ─ e que testaram a determinação de milhares de Joões da Silva na frente doméstica nos dois anos que precederam a partida para a Itália.
Criada oficialmente em 1943, a FEB teve de enfrentar as incertezas geradas pelos movimentos pendulares do governo de Getúlio Vargas, que oscilou entre as partes em guerra antes de definir-se pelos aliados. As tropas tiveram também de vencer intrigas políticas, uma estrutura militar envelhecida e, sobretudo, carências inverossímeis. No treinamento no Brasil, faltaram armas para combates simulados. (Para que se aprendesse a lidar com explosivos, latas de goiabada fizeram as vezes de minas terrestres.) E continuaram faltando armas às tropas já acampadas na frente europeia. O comando americano teve de socorrer os brasileiros com trajes de frio, barracas de campanha, alimentos e outros suprimentos básicos.
A FEB já tinha um hino meses antes de existir fisicamente. Como os pilotos do Senta a Pua! descobriram só às vésperas de uma parada militar que faltava um hino à Aeronáutica, resolveram desfilar ao som da marchinha carnavalesca Jardineira. Esses monumentos ao jeitinho brasileiro comprovam que os nativos destes trêfegos trópicos recorrem a improvisos espertos até no meio de uma guerra. Nem sempre dá certo, ensinam os dramáticos episódios que Barone narra com a leveza que identifica os autores vacinados contra a linguagem pedante dos acadêmicos demais. O músico historiador falou pelo pai. O Brasil enfim pode ouvir como foi a guerra quase desconhecida pela voz de um João da Silva.
DE CORTADOR DE CANA A PROFESSOR DA PUC-SP

José Agnaldo – Fonte – https://www.facebook.com/estadao
DO CORTE DA CANA PARA O DOUTORADO – Ex-cortador de cana se formou e defendeu tese sobre o trabalho penoso dos canaviais; hoje dá aulas na PUC
MÔNICA MANIR – Jornal O Estado de S.Paulo
José Agnaldo não precisa mais madrugar no eito. Seu talhão hoje é uma sala de aula na PUC de São Paulo, onde ensina saúde do trabalhador pelo departamento de Psicologia Social. Nem por isso ele se distancia do mundo canavieiro. Não é de rechaçar o passado. Dobra a atenção, isto sim, para as condições de vida do cortador de cana-de-açúcar brasileiro, especialmente neste tempo de colheita, quando só as usinas paulistas absorvem cerca de 120 mil braços, a maioria migrantes do Nordeste.
O professor da PUC é migrante do extremo oeste do Estado. Nasceu há 43 anos em Maracaí, a 463 km da capital. A cidade já girava em torno da cultura da cana quando o pai mecânico ficou entre as ferragens de um caminhão acidentado, à beira da Raposo Tavares. A mãe, então sem estudo, pegou do podão e foi pra lida. Atrás vieram o filho mais velho, depois a irmã, José Agnaldo e o caçula. “Era fazer 13 anos e o destino estava traçado”, diz o professor.
Mirrado, ele penava para tirar as 6 toneladas do dia. Esperava o fiscal de campo distribuir suas 5 linhas paralelas de cana – o eito – e abraçava o primeiro feixe. Então dava golpes no pé da planta, outros na ponta, carregava a cana até a leira e partia para novo tanto. Um convite à fadiga e à LER (lesão por esforço repetitivo): “Durante o sono, o braço reproduzia o corte em baixo e o corte em cima, machucando quem dividia a cama com a gente”.
Foram dez anos nisso, até amadurecer a ideia de voltar ao ginásio. Sentado no garrafão de água, a roupa fuliginosa borrando o caderno, ele fazia as lições do supletivo na hora do almoço. Concluído o segundo grau, percebeu que continuava boia-fria. Um passo adiante foi insistir numa vaga no escritório da usina, na qual ficou um ano. Outro, mais largo, era ir pra São Paulo.
Com a promessa feita à mãe de guardar o dinheiro da volta, alugou uma cama numa pensão e, em meses como atendente da Casas Bahia, recuperou o valor da passagem e investiu nos estudos. Por meio de d. Luciano Mendes de Almeida, conseguiu uma bolsa integral na Universidade São Judas Tadeu para fazer psicologia. Por meio de d. Cláudio Hummes, a oportunidade de fazer mestrado na PUC, focando os moradores de rua do centro. Um voluntariado de seis meses em Berlim o levou à proficiência para o exame em alemão. O doutorado na USP o conduziu ao itinerário dos canavieiros pela via da psicologia do trabalho.
A tese, que virou livro (Do Trabalho Penoso à Dignidade do Trabalho, Editora Ideias & Letras), se fincou nos canaviais de Cosmópolis, perto de Campinas. Ali a pesagem – um nó no processo – é controlada pelo sindicato.
“É muito difícil fazer o cálculo da produção de um cortador de cana porque ele corta por metro, mas recebe por peso”, explica José Agnaldo. Se houve um ganho nesse sentido em algumas usinas, houve a perda quanto às metas ambiciosas do negócio. Hoje o boia-fria corta 12 toneladas, quando não 20, por dia. São 100 mil movimentos repetitivos do nascer ao pôr do sol. Em 15 anos o trabalhador fica aleijado – expressão de José Agnaldo – por causa das dores nas costas, dos problemas respiratórios e do desgaste psicológico. Raramente dá para chegar aos 35 anos de contribuição ao INSS. “Isso quando não morre por exaustão”, completa.
E ainda tem o nexo causal do vício. Nos levantamentos de campo para o doutorado, ele registrou infindos casos de alcoolismo, da tal pinguinha antes de chegar em casa aos tais fins de semana de bebedeira. “O alcoolismo está previsto como doença laboral, quando encarado como mecanismo de defesa”, destaca. O crack, que invade as plantações como erva daninha, vai na mesma direção.
A mecanização surge como promessa de liberar o cortador desse fardo, mas ela ainda não consegue substituí-lo. Uma porque o solo brasileiro tem muito declive, o que não raro inviabiliza a entrada das colheitadeiras. Outra porque a máquina não corta rente ao chão. Fica o toco, de onde ainda se pode extrair sacarose.
“Mas antes de decretar o fim para preservar o sujeito, você tem que dar condição para ele preservar a própria vida”, adverte o professor. “Há um exército de reserva que aprendeu a cortar cana num único dia e faz isso há anos. O que vai ser dele?”
A liberação desses trabalhadores exige no paralelo um projeto político de qualificação e absorção dessa mão de obra. E o salto para além da sociedade meritrocrática, baseada no self-made man. “É preciso oferecer e reoferecer oportunidades. Saiu do canavial um doutor. Podem sair outros tantos.”
O BANDIDO E O FRENTISTA
Todos ficam preocupados com o direito dos bandidos.
E os direitos de quem trabalha?
Autor – Luiz Felipe Pondé
Jornal FOLHA DE SP – 13/05
Fonte –
http://avaranda.blogspot.com.br/2013/05/o-bandido-e-o-frentista-luiz-felipe.html
A população está entregue às traças, enquanto nos palácios, gente inteligentinha de todo tipo (com o mesmo caráter da aristocracia pré-revolucionária de Versailles) discursa sobre “direitos humanos dos bandidos”, toma vinho chileno, paga escola de esquerda da zona oeste de São Paulo que custa 3 mil reais mensais e vai para Nova York brincar de culta.
A inteligência ocidental está podre, mergulhada em seus delírios de reconstrução do mundo a partir de seus três gnomos Marx, Foucault e Bourdieu.
Nós, desta casta de ungidos, desprezamos o povo comum porque pensamos que o que eles pensam é coisa de gente ignorante.
Outro dia fui abordado por um frentista num posto perto da minha casa na zona oeste (perto daquela praça destruída aos domingos pelas bikes –”bicicletas” na língua de pobre). Ele disse: “O senhor não é aquele filósofo da televisão?”. E continuou: “Não pense que porque somos proletários, não entendemos o que o senhor fala na televisão”.
Quem advinha do que ele queria falar? Este posto sempre foi 24 horas e agora não é mais. Por quê? Disse ele que estavam todos, do dono aos funcionários, cansados de serem assaltados toda noite. Disse ele: “O ladrão vem na sua moto, para, põe a arma na nossa cara, rouba tudo, ameaça nos matar e vai embora. Nada acontece”.

E mais: “E fica todo mundo preocupado com o direito dos bandidos. Onde ficam os direitos de quem trabalha todo dia?”.
Vou dizer uma blasfêmia, dirão alguns dos meus amigos da casta inteligentinha: se preocupar com direitos dos bandidos é apenas um modo chique de continuar se lixando para o “povo”, assim como os coronéis nordestinos sempre se lixaram, a diferença agora é que a indiferença para com o destino das pessoas comuns vem regada a vinho chileno e leituras de Foucault.
A “elite branca letrada” é completamente indiferente para com o destino desse frentista.
Ele pede para que a polícia “acabe com os bandidos para ele poder trabalhar e a mulher e filhos dele não serem mortos”. Ingênuo? Simplista? Talvez, mas nem por isso menos verdadeiro na sua demanda “por direitos”.
A verdade é que estamos mergulhados num blá-blá-blá pseudocientífico das razões que levam alguém a ser bandido, seja qual for a idade, e enquanto isso esse frentista se ferra.
O que terá acontecido, que de repente a elite letrada e pública ficou tão “sensível ao sofrimento social” e tão indiferente ao sofrimento desta “pequena gente honesta”? Até escuto alguns de nós dizer: “São uns mesquinhos que só pensam nas suas vidinhas”. Quem sabe alguns mais anacrônicos arriscariam: “Isso é resquício do pensamento pequeno burguês”.
A verdade é que nós estamos pouco nos lixando para o que essa gente que anda de metrô, trem e quatro ônibus sofre. Todo mundo muito “alegrinho” com a PEC das empregadas domésticas, mas entre elas e os bandidos a vítima social são os bandidos.
A pergunta que não quer calar é: por que em países islâmicos, por exemplo, com alto índice de pobreza, não existe criminalidade endêmica? Será que tem a ver com medo da terrível punição corânica?
Dirão os inteligentinhos que a causa da criminalidade é social. Hoje em dia, “causa social” serve para tudo, como um dia foram os astros e noutro a vontade dos deuses.
Não nego que existam componentes sociais de fome e sofrimento na causa do comportamento criminoso, mas ninguém mais leva em conta que a maioria que vira bandido porque não quer trabalhar todo dia como esse frentista.
Ser bandido é, antes de tudo, um problema de caráter. E esse frentista, pobre também, sabe disso muito bem, só quem não sabe é minha casta de inteligentinhos.
O que dirão os inteligentinhos quando esse contingente de verdadeiras vítimas sociais do crime começarem a se organizar e matar os bandidos a sua volta? Pedirão a alguma ONG europeia para proteger os bandidos dessa gente “mesquinha” que só pensa em sua casinha, seus filhinhos e seu dinheirinho?
Acusarão essa gente humilhada e assaltada de não ter “sensibilidade social”? Dirão que soltar bandidos na rua é “justa violência revolucionária”?
COCAÍNA + CAICÓ = CAICOINA
Calma gente!
Não estou aqui incentivando o consumo do pó, nem muito menos afirmando que em Caicó a poderosa droga conhecida como cocaína está deitando e rolando.
Apenas trago uma centenária propaganda, publicada em um extinto jornal seridoense, de um produto certamente a base de xarope de cocaína e produzido por uma farmácia da principal cidade do Seridó Potiguar.
Como se sabe a cocaína é extraído das folhas da planta de coca (Erythroxylon coca), historicamente produzida pelos indígenas dos altiplanos andinos da América do Sul a milênios. Na sua forma extraída e purificada, é um dos mais potentes estimulantes de origem natural.
Por milhares de anos, os nativos da região andina têm mastigado folhas de coca para aliviar a fadiga. Assim como o chá e o café são fervidos, os nativos andinos criaram um chá a base de folhas de coca. Além disso, grupos andinos, historicamente, queimavam ou fumavam várias partes da planta da coca como parte de suas práticas religiosas e medicinais. No entanto, nenhuma destas outras utilizações teve o mesmo impacto na forma de cloridrato de cocaína purificada.
O químico alemão Albert Niemann reconheceu as propriedades estimulantes da planta cocaína e em meados de 1800 extraiu quimicamente o cloridrato de cocaína.
No início dos anos 1880, as propriedades anestésicas da droga foram descobertas, e logo foram utilizados em cirurgias oculares, de nariz e garganta. Em pouco tempo os médicos tomaram conhecimento das propriedades psicoativas da cocaína e esta foi amplamente distribuída para controle da ansiedade e depressão.
Afirmações extravagantes de seus poderes curativos aumentaram da popularidade da cocaína no início dos anos 1900.
Era o principal ingrediente ativo em uma ampla gama de patentes de medicamentos, tônicos, elixires, e extratos de fluidos. Acredita-se que a fórmula original da Coca-Cola, desenvolvido em 1886 pelo farmacêutico John Pemberton, continha aproximadamente 2,5 mg de cocaína por 100 ml de fluido. Esta fórmula foi vendida como uma cura para a dor de cabeça e um estimulante. Outro farmacêutico comprou os direitos e fundou a Coca-Cola Company em 1892.
Após 1900 foram se tornando frequentes os problemas médicos, psíquicos e sociais associados ao uso excessivo de cocaína e nos Estados Unidos e seu uso foi severamente restringido em 1914.
Desta época até a década de 1960, pelo menos nos Estados Unidos, o consumo de cocaína foi geralmente limitado a pequenos grupos sociais. À medida que as manifestações culturais incentivaram o uso de drogas para fins recreativos, a cocaína entrou novamente em evidência.
Proibições legais e o suprimento da droga foram severamente restringidos. Mas o cultivo das plantas de coca continuou nos países sul-americanos – Bolívia, Peru, Colômbia e Equador.
O seu uso cresceu juntamente com o uso de muitas outras substâncias psicoativas. A maioria dos experimentadores eram consumidores ocasionais. Eles experimentaram a euforia da cocaína e, geralmente, voltavam para suas vidas “normais”. Devido a isso, ao uso casual, surgiu uma noção fictícia de que a cocaína era inofensiva e estimulava os caminhos da mente. As drogas abriam as “Portas da Percepção”, como afirmou o escritor inglês Aldous Huxley (no caso deste escritor, principalmente com o uso de mescalina e LSD).
Apesar dos graves problemas clínicos ligados com o uso de alucinógenos, barbitúricos e as anfetaminas, foi dada pouca atenção para os problemas associados ao uso de cocaína, porque eles eram raramente vistos. Em finais dos anos 1970, muitos especialistas e autoridades de saúde pública nos Estados Unidos acreditavam que a cocaína era uma substância relativamente benigna e principalmente uma droga “recreativa”.
Em resumo, a cocaína é um estimulante do sistema nervoso central, que provoca euforia, bem estar, sociabilidade. Nem sempre as pessoas conseguem ter tais sensações naturalmente, e de forma intensa, uma pessoa que se permite utilizar esta substância tende a querer usar novamente, e mais uma vez, e assim sucessivamente. Atualmente a via preferida de administração é a intranasal em dosagens relativamente pequenas, ou intravenosas em altas doses.
Como a cocaína tende a perder sua eficácia ao longo do tempo de uso, fato este denominado tolerância à droga, o usuário tende a utilizar progressivamente doses mais altas buscando obter, de forma incessante e cada vez mais inconsequente, os mesmos efeitos agradáveis que conseguia no início de seu uso. Dosagens muito frequentes e excessivas provocam alucinações táteis, visuais e auditivas; ansiedade, delírios, agressividade, paranoia.
Este ciclo torna-o também cada vez mais dependente, fazendo de tudo para conseguir a droga, resultando em problemas sérios não só no que tange à sua saúde, mas também em suas relações interpessoais. Afastamento da família e amigos, e até mesmo comportamentos condenáveis, como participação de furtos ou assaltos para obter a droga são comuns.
Ou seja! Saia de perto que é problema na certa.
Em relação a “Caicoina” do início do século XX, nenhuma outra informação consegui sobre o produto.






















































































































































































































































































































































































































